quarta-feira, janeiro 02, 2008

Seqüestro

Os três presos colombianos, dentre os mais de uma centena seqüestrados, não foram resgatados.
Bem, há algumas hipóteses que podemos imaginar.
A primeira, mais cruel e grotesca: nunca houve porcaria de negociação alguma, sendo jogo de cena de Chavez para encurralar seu antagônico Uribe. Faz toda onda por dois meses consecutivos, acusa o governo colombiano, xinga seu presidente, cria um clima de simpatia robinwoodiana para seus colegas da FARC e responsabiliza a gravidez de vento às operações militares legais.
Mesmo se tratando do saltimbanco Chavez e sua enorme e destemperada boca, não creio nessa farsa. Até Chavez, imagino, teria escrúpulos de assim agir.
A segunda hipótese é da decadente FARC ampliar seus espaços na mídia mundial focando holofotes sobre sua guerrilha sem causa e responsabilidade. Essa é uma hipótese plausível.
Outra hipótese e motivar a comunidade internacional para promover uma zona desmilitarizada na Colômbia, quase um reconhecimento de área de litígio. Isso fere integralmente a soberania colombiana sobre seu território. De quebra, abre uma brecha na fronteira Colômbia-Venezuela, fato muito do interesse de Chavez e um precedente perigoso na amazônia.
Embora o clima de comoção gerado com a expectativa de resgate limitado - menos de 2% dos seqüestrados - não se pode perder a realidade do que as FARC realmente são, um grupo guerrilheiro que utiliza o terror como arma política. Em bom português, terroristas. Querem impor sei-lá-o-quê pelo medo, perpetrando crimes contra a humanidade. Há seqüestrados já com mais de 10 anos de cativeiro. Eufemisticamente os chamam de reféns. Mas reféns de quê? O que avalizam, garantem?
Esse grupo terrorista deve ser combatido de todas as maneiras pela Colômbia e esse combate deve contar pelo menos com a simpatia do Brasil, também ameaçado pelo surgimento de movimentos equivalentes na fronteira norte.
A agressão à soberania colombiana, agora já defendida por alguns segmentos, deve ser rechaçada com veemência pelo Brasil. Ou será que aceitaríamos essas ocorrências no lado de cá? E se fosse em Roraima, por exemplo, coisa perfeitamente possível?
É impensável uma participação brasileira em um resgate clandestino no território colombiano. É uma violação completa e absoluta do direito internacional. Apesar da pálida defesa do Marco Aurélio Top-Top Garcia para uma possível ação clandestina, o governo brasileiro deve ser firme e coerente em desautorizá-lo.
Única forma de ter moral para exigir a reciprocidade internacional que talvez seja necessária em futuro não tão distante.
Quanto a Chavez, bem, mais uma vez a montanha pariu um rato.

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