sexta-feira, dezembro 14, 2007

Fiel Escudeiro

Segundo informações da Folha de São Paulo, Arthur Virgílio afirmou que seguiu as orientações recebidas de FHC durante as negociações para a votação da CPMF.
A par do reconhecimento do erro do governo no processo de discussão, Virgílio, como fiel escudeiro, mantinha-se em contato permanente com seu chefe, agindo como porta-voz para encurralar o governo e submeter-lhe a derrota política.
Algumas lideranças da base governista o acusam de haver quebrado os acordos alinhavados com o PSDB para a aprovação. O primeiro seria a destinação de todas as receitas da CPMF para a saúde, que teria sido apresentada no dia anterior à votação. O segundo, seria a aprovação da CPMF somente para 2008, tempo para elaborar e aprovar uma reforma tributária.
Esses dois acordos alinhavados agradaram senadores do PSDB e tiveram o apoio dos governadores Aécio e Serra, presidenciáveis do partido.
Aí entrou o guru FHC. Mandou recuar dos acordos, ordem prontamente assimilada por Virgílio que, ao ver que parte da bancada não era invertebrada e votaria com a posição dos governadores, mesmo que contra a determinação de FHC, recebeu novas ordens que resultou no discurso emocionado ameaçando deixar a liderança caso a bancada votasse a favor da prorrogação acordada.
Claro que o episódio gerou desgastes dentro e fora das hostes partidárias. Os governadores sentiram, agastaram-se. Senadores também. Pedro Simon, que tem primado pela coerência, passou-lhe um pito. Porém FHC aposta que o mal-estar deverá passar. Segundo Virgílio, "se eles forem candidatos à Presidência, vão perceber que, evitando que o partido virasse a geléia geral, vai dar lucro para eles".
Arthur Virgílio tem uma inteligência privilegiada. Mas só Freud explica a dependência emocional, a paixão enrustida, a posição subalterna em que se coloca frente à FHC, reconhecidamente medíocre. Durante o malfadado governo FHC, Virgílio defendia o indefensável. Era patético o vermos na tribuna colocando sua inteligência a serviço de interesses impublicáveis, como abortar a CPI que apurava o verdadeiro mensalão para a emenda da reeleição. Após o governo, continua seguindo cega, fiel e caninamente as ordens daquele vaidoso senhor.
Os interesses partidários imediatos e a mágoa pessoal de FHC prevaleceram, não o interesse nacional.
Quando FHC disputou a Prefeitura de São Paulo com Jânio, vaidoso de nascença que é, permitiu que uma revista o fotografasse antes da eleição sentado na cadeira do prefeito. Apesar das pesquisas, ganhou Jânio. No dia da posse, teatral como era, convocou a imprensa para uma coletiva em seu gabinete. Ao entrarem os jornalistas, pegou um spray desinfetante e aspergiu na poltrona. Com o espanto dos presentes e o riso geral declarou "Nádegas indevidas assentaram-se aqui."
FHC determinou o voto da bancada com olho na eleição e na sua vaidade ferida. Poderá pagar politicamente, pela segunda vez, o preço da precipitação.
Tomara!

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