quinta-feira, dezembro 06, 2007

CPMF e Outras Metamorfoses

A única borboleta que não se transformou em lagarta, nesse embate sobre a CPMF, foi o Dr Adib Jatene, mentor da contribuição e, ao que parece, o único convencido das posições que adotou no passado. A coerência honra sua história.
Todos os demais, situação e oposição dantes e de agora, assinam o atestado de que os fins politiquinhos justificam os meios, as caneladas, os chutes no baixo ventre, a mentira inconseqüente.
Que o PT agiu com irresponsabilidade, está bastante claro e não se justifica. Porém considero ainda mais irresponsável a postura atual do PSDB e DEM (PFL de roupa nova e velho caráter).
Não só pela oposição à CPMF, cujo tributo, já escrevi anteriormente, é de melhor qualidade dos demais que nos extorquem todos os dias. Mas pelo conjunto de sua obra.
Hoje saíu o dado. Enquanto a inflação acumulada nos 14 anos de Real chega a duzentos e qualquer coisa por cento, o componente telefonia alcança os estratosféricos 663%. E isso eles acham normalíssimo, especialmente considerando que as atuais empresas desnacionalizadas, em seu conjunto, pagam menos de imposto de renda do que o antigo Sistema Telebrás contribuía aos cofres públicos com o mesmo imposto de renda e dividendos.
Não é à toa que o guru da demolição, FHCalabar, recebe todas as homenagens e diplomas de doutor honoris-causa da Espanha. Só está faltando nesse galinheiro novo apelo de Juan Carlos "porque te calaste?".
Mas a maldade desses pseudos-preocupados com os bolsos populares tem outro fato desta semana.
O rendimento dos bancos com as tarifas bancárias escorchantes e reptícias que nos cobram a todos nós chega a R$ 40 bi/ano. Coincidência, o mesmo valor previsto para ser arrecadado de CPMF.
Essas tarifas, casualmente instituídas sob a égide e bênçãos do PSDB/PFL, não serviram a outra coisa além de beneficiar os bancos, contemplados também com o Proer. Como sempre, privilegiaram em tudo o capital e em nada o trabalho.
E alguém viu o Arthur Virgílio ou o Agripino Maia defenderem a atividade produtiva, o trabalhador, o cidadão, a empresa, um que seja, contra esse assalto? Nunca! E pior. Alguém pode não ter conta em algum banco, nesse Brasil autofágico e burocrata? Desse assalto institucionalizado ninguém escapa, ninguém foge, ninguém se exime.
E que ultrapassa o absurdo. Tempos atrás, o Banco Regional de Brasília cobrava uma tarifa de quem fizesse depósito em cheque. Não sei se ainda o faz, porque tomei a providência de encerrar a conta corrente que a empresa lá mantinha. Mas não duvido.
A bem da verdade a única ação até agora contra tal patifaria está sendo a atual do Banco Central, com quatro anos de atraso, tentando impor freios à sanha gananciosa.
Os discursos e pronunciamentos que tenho escutado só desmascaram esse prostíbulo de vestais que ainda ousam dizer que falam em nome dos interesses dos cidadãos.
Mentira!
Ou talvez ainda estejam contaminados pelos primórdios de Roma, em que cidadãos eram somente sua aristocracia, casualmente representada no Senado. O resto era ralé.
E falem somente em causa própria.

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