quinta-feira, dezembro 06, 2007

CPMF

Ninguém que eu tenha notícia conseguiu verbalizar tão claramente o poder da divulgação, como Goebbels. A mentira, repetida a exaustão, vira verdade. A versão, massificada, vira fato.
Vamos fazer uma continha rápida.
O PIB per capita situa-se em torno de R$ 30 mil/ano. Vamos supor que essa riqueza mude duas vezes de mãos em seu processo de formação. Com isso, cada brasileiro, em média, pagaria, em média, R$ 228/ano de CPMF.
Bem, esse raciocínio é primário.
Vamos pegar, então, uma família de classe média alta, com renda anual de R$ 200 mil. Nesse caso, recolhe diretamente R$ 760/ano, cerca de R$ 63/mês de CPMF. Equivalente, talvez a um jantar do casal em um restaurante.
Bem, parece que estou defendendo a CPMF. Não é o caso. Não defendo esse brutal confisco via selvagem carga tributária a que somos sujeitos e, muito menos, a qualidade dos gastos governamentais do nosso suado dinheirinho.
Mas também não defendo a hipocrisia com que o assunto está sendo tratado.
Não se fala em reduzir a carga tributária sobre a cesta básica, por exemplo. Isso impactaria muito mais. Não há campanha para reduzir o COFINS, que taxa em 9% toda a produção, 30 vezes mais do que a CPMF.
Sabem a razão? Todos os outros impostos são sonegáveis. A CPMF, não.
A eliminação da CPMF não irá reduzir preços. Preços são função do mercado, não dos custos. A diferença engordará lucros. Mais um bom motivo para os manipuladores da opinião pública abrirem as baterias contra a CPMF.
A revolta de todos nós quanto ao sistema tributário está sendo dirigida para a demonização da CPMF, desviando a atenção do realmente necessário, tal seja um repensar, uma reforma tributária efetiva.
As emoções dos embates políticos e as quedas-de-braço pela disputa de poder estão toldando a avaliação crítica da matéria. Com certeza, 9 entre 10 brasileiros, hoje, são contra a prorrogação da CPMF. Fosse o debate sério, esses mesmos 90% seriam contra, mobilizariam-se, protestariam e recusariam o atual modelo tributário e não um tributo em particular. O desvio da atenção ao real problema é crueldade maior do que a própria CPMF.
Utilizar o poder da comunicação para canalizar a indignação popular ao encontro dos próprios interesses foi a maior lição de Goebbels.
Muito bem aprendida pelos políticos, ao que se vê.

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