quinta-feira, novembro 22, 2007

Relações Perigosas

Começam a tomar corpo as informações, antes somente sussurradas por fontes no anonimato, de que Chavez atuou como fomentador e fiador de Morales para a ocupação militar das refinarias da Petrobrás e perseguição a brasileiros instalados na Bolívia, num anchluss bolivariano.
Nessa fiança estava o apoio político, como realmente aconteceu, e os possíveis desdobramentos chegando até o suporte militar, se necessário.
Nada seria melhor para o moral bolivariano do que unirem-se no combate à única nação não espanhola do continente, a única com tradição política de transformações com estabilidade. Aos "imperialistas" que detêm mais da metade territorial do continente, da população e do PIB.
Bem, examinando esse cenário sem querer ser especialista no assunto, temos alguns indicativos.
Chavez não tem acesso ao território boliviano sem violar o espaço aéreo brasileiro ou o colombiano e peruano. O acesso terrestre não é propício, pela exigência logística e condições de terreno. No entanto, desenvolve corrida armamentista, equipando-se com armamento de última geração, inclusive para ataques estratégicos de longo alcance.
É antagônico à Colômbia e é visto com reservas pelo Peru. Conta com a simpatia das FARC, estado paralelo que orbita entre a Colômbia, Brasil e a própria Venezuela. O Equador, seu aliado, não faz fronteira nem com o Brasil nem com a Bolívia.
Como então Chavez honraria seu aval no caso de uma reação mais forte brasileira? Só em seus intermináveis discursos dominicais no Alô Presidente? Ou queixando-se a seu ex-guru e atual porta-voz Fidel?
Não creio.
A Venezuela tem fronteira terrestre com o Brasil em área já convulsionada, desprotegida e atacada por diversos movimentos internacionais representados por ONGs e, absurdo, por alienados dentro do próprio governo brasileiro.
Uma ameaça em Roraima traria para nosso território a infecção para a qual o Brasil está absolutamente despreparado. E pior, internacionalizaria esse conflito, pois adubaria o terreno para a atuação de movimentos internacionais de defesa de "populações indígenas".
Chavez está promovendo o reaparelhamento de suas forças armadas e transformando-as num órgão político. A formação das SS alemãs não seguiu caminho diferente.
A geração de incidentes fronteiriços, numa ação diversiva, forçaria o direcionamento dos anticorpos brasileiros ao local de ataque, eliminando qualquer reação à Bolívia. Que, aproveitando o ensejo, talvez resolvesse questionar o território brasileiro na margem direita do Rio Paraguai, de Cáceres até o Forte Coimbra, passando pela Serra do Amolar e as jazidas de Corumbá, sem contar o Acre que, segundo o próprio Morales, foi roubado pelo Brasil em 1903.
O Brasil não está preparado para uma atuação militar em nenhuma das frentes, quanto mais em duas.
De Lin Tzu recebe-se a lição de que, na arte da política ou da guerra, há momentos de evitar confronto, de recuar e de atacar. De escolher o melhor momento para cada uma das ações.
O Brasil, sem explicação lógica, adotou a primeira. Não só recebeu passivamente a chantagem boliviana como a aceitou, negociou seu prejuízo, lambeu as feridas e, aparentemente, acovardou-se nessa atitude.
No entanto, vista por outro prisma, a ação do governo teria neutralizado a estratégia bolivariana do confronto, evitou desgastes e cicatrizes seculares, preservou a integridade territorial e apostou de que Morales, dia mais, dia menos, recorreria à tecnologia brasileira por falta de capacitação local. E tratou de esvaziar a influência de Chavez.
Agora há outro embate em curso. Chavez quer ingressar no Mercosul para tentar amplificar suas bolivariadas em palanque mais categorizado. Antes mesmo de entrar, já declarou a necessidade de formular um novo Mercosul, construído a partir das ruínas do atual. Está encontrando dificuldades no Brasil, não oficiais pois o discurso é outro, mas de bastidores, em que não há discursos nem lealdades pessoais.
A aprovação no Congresso deverá demorar, procrastinando-a, de comissão em comissão, de plenário em plenário, até o resultado do referendum sobre as reformas constitucionais que limitarão sensivelmente a democracia venezuelana.
Se o povo venezuelano concordar com elas, o Brasil terá o argumento real para vetar o ingresso e, possivelmente seu país permanecerá fora do bloco.
Esse pode ter sido o movimento do Itamaraty no tabuleiro geo-político sul-americano.

2 Comments:

Blogger GutoFregapani said...

se fosse uma monarquia,analisando a atual situação política no país, o que acha que o rei faria?

5:22 PM  
Blogger Frega Jr said...

Guto,
Se a situação acarretasse uma instabilidade política para sustentação de maioria parlamentar de apoio e sustentação do governo, como às vezes parece que ocorre contornada somente por barganhas de cargos e orçamentos, creio que o rei dissolveria o congresso e convocaria novas eleições para saber se a população quereria manter o substituir o atual governo.
Lê o texto O Papel do Rei pra gente trocar idéias.

10:25 AM  

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