sábado, novembro 10, 2007

Cenários...

Foi postado um comentário a respeito do texto "Gigante Anêmico" que me fez pensar. E não consigo exercitar futurologia sem procurar desenhar alguns cenários futuros que facilitem o entendimento do presente. Partindo do princípio, lógico, que as ações sejam pensadas, como um jogo de xadrez, para levar o antagônico a determinados movimentos.
O dito comentário, se entendido ao pé da letra, levaria a considerar nossa população covarde. Se nas entrelinhas, caracterizaria nossos sucessivos governos de covardes.
Claro, isso pode ser uma realidade e o cenário futuro, nesse caso, não poderia ser outro além da desintegração nacional. É uma hipótese, mas eu a considerei primária demais para aceitá-la pura e simplesmente.
Sem dúvida, fiquei chocado com a atitude governamental de procurar a Bolívia após a facada pelas costas. Simplisticamente, poderia corroborar essa hipótese, mas alguns movimentos adicionais foram postos no tabuleiro.
Com alarde, foi requentada a notícia da descoberta das reservas de petróleo na altura de Santos. Claro que há uma novidade: o tamanho da reserva que nos transforma num dos "top ten" do time. Fato "coincidentemente" divulgado um dia antes do encontro de cúpula, onde Lula e Morales discutiriam particularmente sobre gás, com demanda interna brasileira em descompasso com a oferta.
A produção interna futura, com capacidade excedente, coloca em xeque os planos bolivianos e venezuelanos, que caminhavam para um oligopólio sul-americano. E ambos sabem que dependem do mercado brasileiro. Chavez pretendia um gasoduto. Evo nem sabe o que pretende. Mas há uma hipótese do Brasil saber.
Nesse cenário, procurar a Bolívia já não parece tão insensato assim. Se a Bolívia for antagônica agora, poderá perder seu principal mercado em curto prazo. Se negociar, não só o fornecimento de gás como também a participação brasileira na exploração e refino de petróleo, apesar de Chavez, poderá assegurar mercado para a Bolívia em longo prazo.
Esse movimento pode significar uma aproximação maior entre os dois países, com evidente reflexo na diplomacia bolivariana e na campanha eleitoral paraguaia, que também poderá se tornar menos ameaçadora à nossa posição em Itaipu.
Chavez ironiza, dado que esse movimento reduz sua capacidade de influência real, não a verborrágica, sobre o eixo que compõe a fronteira oeste brasileira.
Política externa não é luta de box e é projetada em longo prazo, já que nenhum país consegue mudar-se, trocar de vizinho.
Nesse cenário, considerando a cronologia dos movimentos nos últimos 15 dias (falta de gás no Brasil; não importação tempestiva em fontes alternativas; crise do refino de petróleo na Bolívia por falta de competência técnica; a visita do Sérgio Gabrieli à Bolívia; anúncio da reserva gigante; declaração de exploração somente em 2012, como margem de negociação; reunião paralela entre os dois presidentes no pano de fundo da Cúpula Ibero-Americana, nessa ordem), a atitude foi inteligente.
Apertou sem abraçar.

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