domingo, novembro 11, 2007

Crise Explicada

"Um forte lobby para a abertura do mercado doméstico de transporte aéreo começa a ganhar fôlego no Congresso. Projetos de lei dos senadores Tião Viana (PT-AC), presidente interino do Senado, e Gerson Camata (PMDB-ES) revogam os artigos 181 e 182 da Lei 7.565/86, o Código Brasileiro de Aeronáutica. Se aprovadas as propostas, companhias aéreas estrangeiras poderão fazer o transporte de cabotagem no Brasil." Fonte: Site do Terra 11/11/07

A aviação brasileira foi uma das pioneiras no mundo. A qualidade técnica de seus pilotos, incontestável, sendo a FAB, ao longo do tempo, um centro de formação de excelência. Grande parte dos pilotos comerciais nela tiveram origem.
Talvez por essa razão a aviação civil ficou como que subordinada à aviação militar e não obteve a independência do Estado, sendo que a comercial opera em regime de concessão ou permissão.
Isso foi bom, pois a malha aérea brasileira cobriu praticamente todo o território nacional (onde não alcançava, o Estado fazia-se presente diretamente com a FAB e o CAN.
Nesse contexto sobressaiu a Varig, com destacada posição em rotas internacionais e as companhias aéreas apresentavam bom atendimento e boa saúde financeira.
Houve, claro, situações de cunho essencialmente político, como a quebra da Panair e sua incorporação pela Cruzeiro do Sul. Houve, claro, privilégio à Varig com a exclusividade de operação das rotas internacionais brasileiras.
Mas o fato é que o setor voava sem maiores turbulências. Até o Plano Cruzado do Sarney e o congelamento de preços, não de custos.
As empresas passaram a operar com prejuízos, tardia e intempestivamente reconhecidos pela justiça.
Aí veio o Collor acompanhado de seu amigo Canhedo.
Com o pretexto de saneá-la, ao invés de reconhecerem os prejuízos causados por Sarney, privatizaram a VASP e a sucatearam, numa guerra tarifária suicida (para a empresa, não para os Canhedo). E quebraram o monopólio da Varig para as rotas internacionais.
Na guerra tarifária, afundaram a Transbrasil e a própria Varig, tudo em nome de um livre mercado. Mas que livre mercado é esse que depende da concessão pública?
Cresceu a TAM também por um privilégio. Congonhas passou a ser quase que propriedade dela e as outras tiveram muita dificuldade de estabelecer lá também suas operações em São Paulo.
Veio a Gol com um novo conceito operacional (low-fare). Cresceu no vácuo. Assumiu a falida Varig.
Tiraram o controle da aeronáutica e passaram para a Anac, mais uma das malditas agências desreguladoras.
E outra low-fare, suportada em uma agência de viagens, aventurou-se na operação comercial. Morreu na semana passada! E o Jobim das Selvas, aquele que gosta de aparecer mas, no pipoco, permanece camuflado sem nada resolver, saíu-se com a pérola, dizendo que o governo nada tem com os prejuízos causados pelo estelionato praticado pela BRA, embora ele continue dando pitacos e palpites numa área que não conhece e não é de sua competência. Continua querendo ser o chefe do aerodetran.
Essa incompetência toda reflete-se agora no Congresso, como noticiado. Querem acabar com a exclusividade das rotas nacionais serem operadas por empresas nacionais. É o atestado do descrédito na competência brasileira, nos empreendedores, nos operadores e na própria capacidade governamental.
Para quem foi um dos pioneiros no mundo, é um triste epílogo.

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