quinta-feira, outubro 04, 2007

O Infiltrado

Jobim de burro não tem nada. É uma raposa jurídico-política, ou vice-versa.
Porém, sua crescente agressividade no trato institucional com as forças armadas só pode ser atribuída a dois fatores. Ou ingenuidade beirando as raias da burrice, ou intenção deliberada.
Jobim foi um aliado de primeira dos tucanos. Foi ministro de FHC, por suas relações foi guindado ao STF, tentou formar chapa com o PSDB na vice-presidência na última eleição.
Sempre manteve relações próximas com os bicudos emplumados, confraternizando em gabinetes, bastidores e banhos de mar.
Estou começando a acreditar fortemente que Jobim está cumprindo uma parte do plano de desestabilização do atual governo, incompatibilizando-o também com os militares. Só pode ser isso. E, ou está executando o plano de caso pensado, ou é um inocente útil. Bobo alegre, não creio.
As forças armadas ainda mantém, junto à população, credibilidade cinco vezes superior a dos políticos, conforme pesquisa recente. Não faltará que comece a clamar por ela, à falta de solução dos escândalos sucessivos e sucessivas maracutaias, negociações de cargos, barganhas de emendas orçamentárias. À explícita imoralidade na gestão da causa pública. E aí mora o perigo.
Se for minimamente inteligente, a classe fardada não embarcará numa arapuca dessas. Chega de atender o apelo da população e, posteriormente, ser massacrada, taxada de bandida, como está sendo por manipuladores de fatos e verdades.
Jobim deve ser um agente dos internacionalistas, infiltrado no primeiro escalão. Um agitador a serviço de seus patrões peessedebistas. Não há outra escolha.
Talvez conduza à desestabilização se, a par das hostilidades explícitas e implícitas, leve a cabo suas ameaças de repressão a brasileiros que habitam há décadas na fajutamente recém ampliada RI Raposa Serra do Sol. Seus patrões agradecerão a internacionalização das reservas de minerais nobres, as maiores do mundo. Talvez possa até virar presidente da república.
Transcrevo abaixo texto publicado por Josias de Souza, a quem não se pode atribuir tendência reacionária.
O alerta é lúcido.

"Relações de Jobim com militares continuam tensas

Em público, o ministro Nelson Jobim esforça-se para passar a impressão de que estão superadas as rusgas que estremeceram suas relações com os comandantes militares. Nos subterrâneos, porém, remanescem os ressentimentos. E continua intoxicada a atmosfera no ministério da Defesa. A tensão é maior no comando do Exército.

Há dez dias, Jobim foi submetido a um constrangimento. Deu-se em 14 de setembro, na cidade de Manaus, em cerimônia pública. O ministro viera de Brasília, para assistir à troca de cadeiras no Comando Militar da Amazônia. Saiu o general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho. Entrou o também general Augusto Heleno Pereira.

Os dois generais discursaram para uma platéia que, além do ministro, incluía autoridades locais e políticos vinculados à Amazônia. Nem Raymundo Nonato nem Augusto Heleno se dignaram a incluir em seus discursos uma referência ao "chefe". Nominaram outras personalidades. Mas Jobim não mereceu uma mísera citação.

Além de ignorado, o ministro não foi escalado para discursar durante a cerimônia. Entrou calado. Saiu em silêncio. Foi tratado como se não houvesse passado pelo recinto. Aos políticos presentes, não passou despercebida a combinação da ausência nos discursos com presença física do ministro. O próprio Jobim comentaria depois, em privado, que a cena de Manaus fora urdida para provocá-lo.

As relações de Jobim com o Exército envenenaram-se desde a divulgação do livro "Direito à Memória e à Verdade", aquele em que são relatados os
casos de tortura, assassinatos e sumiço de adversários da ditadura. Os militares não gostaram do conteúdo da obra.

Desgostaram ainda mais do
discurso feito por Jobim na cerimônia de lançamento do livro, no Planalto. Jobim dissera que não haveria quem contra a obra se insurgisse. E, se houvesse, "teria resposta". A despeito do timbre acerbo do "chefe", o Exército concluiu que não poderia calar. Em reunião do alto comando, discutiu os termos da reação. Acabou divulgando uma nota água-com-açúcar, cujo ponto alto foi a lembrança da existência de uma Lei de Anistia.

A nota foi precedida, porém, de diálogos pouco amistosos. Jobim chegou mesmo a ameaçar de
demissão o comandante do Exército, Enzo Martins Peri, e todos os generais do alto comando. Ensarilharam-se as armas, mas o ministro ainda não se livrou de emboscadas como a de Manaus.

Afora o livro de memória das atrocidades da ditadura, o Exército ainda não engoliu a promoção do tenente "desertor"
Lamarca. Providência que, embora não seja debitada na conta de Jobim, ajuda a turvar o clima da Defesa. Há, de resto, um certo pé atrás dos militares em relação aos já anunciados planos do ministro de reestruturar a pasta.

Entre as mudanças que Jobim planeja implementar está a criação uma secretaria-geral, posto que, nas pastas civis, é o segundo na hierarquia. Embora o ministro já tenha esclarecido, em privado, que não tem a intenção de submeter os comandantes militares ao futuro secretário-executivo, a idéia de um segundo homem no ministério da Defesa, ainda que fardado, não foi, por ora, integralmente digerida pelos comandantes.

É sabido que insatisfação de militares se resolve com uma chefia firme. Coisa que o ministério da Defesa, desde que foi criado, ainda sob FHC, jamais teve. Já no dia da posse, Jobim tratou de demarcar o seu terreno: "Quem manda é o ministro". É bom que seja assim. Mas talvez convenha ao ministro converter arroubos em gestos. Um comandante genuíno não precisa de arrebatamentos pueris.
Escrito por Josias de Souza às 19h00"

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