quinta-feira, novembro 22, 2007

Gordura Trans

Este blog informa: a gordura trans estatal, representada pelos detrans, contrans, conatrans e denatrans, faz mal à saúde e à cidadania.
Depois de brilhantes e aprofundados estudos, com direito à formulação de einstenianos algorítmos, talvez ainda com a atuação de alguns lobbies e, quem sabe, algum por fora, chegaram à conclusão de que é seguro reduzir para 28% a transparência exigida nas películas aplicadas a vidros traseiros.
Eu também acho. Aliás, nem é necessária a transparência traseira droga nenhuma. Fosse, todos os caminhões e furgões fechados deveriam conter um túnel ao longo de suas cargas, com visão traseira. Vou além. O próprio retrovisor interno é dispensável, considerando a existência de espelhos laterais com visão periférica.
Mas isso não impede que o mesmo Contran, que há algum tempo, em nome da segurança, determinou uma transparência mínima de 50%, com certeza baseado em estudos tão aprofundados como os atuais e, quem sabe, algum por fora, agora se contradiga.
Nesse meio tempo, muitos motoristas, mas muitos mesmo, foram multados e tiveram pontos lançados na habilitação, veículos foram retidos e, ao que se divulga, foram assaltados em centros de guerrilha urbana, como São Paulo e Rio de Janeiro.
Tudo em nome da segurança. Ou, sabe-se lá, em troca de quê.
Esse ninho de incompetência, creiam, é legal. Foi parido por deputados pollyanas quando criaram o amaldiçoado Código de Trânsito Brasileiro, baseados no paradigma de que regulando nos mínimos detalhes a liberdade individual as infrações coletivas são naturalmente extintas. Na ocasião afirmaram com a certeza dos ignorantes de que acidentes e crimes de trânsito estavam com a vida contada. A realidade, 10 anos depois, mostra exatamente o contrário.
Enquanto isso, os agentes dos detrans ganham mais do que um controlador de vôo e ainda fazem greve.
A legislação de trânsito, ressalvados os aspectos regulados no âmbito dos códigos Civil e Penal, deveria ser atribuição de cada estado federado, este sim mais próximo de sua realidade local e com melhores condições de formular as políticas e controles mais adequados. Mas não, avoca-se esse assunto ao poder central que, na impossibilidade de atender as diferentes realidades locais,
tende a nivelar todas as regulamentações ao ideal, mesmo que absolutamente impraticável.
Enquanto isso, rotundas barrigas e adamastônicos traseiros assentam-se mensalmente nesses conselhos modorrentos para comer lanchinhos, tomar cafezinhos, dar tapinhas nas costas, combinar o próximo encontro e, en passant, fazer regras sem responsabilidade.
E, dizem mas eu não acredito, levar algum por fora.

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