quarta-feira, novembro 14, 2007

Zé das Medalhas

Segundo a agenda, Jobim agraciará hoje, com a Ordem do Mérito da Defesa, 169 personalidades civis e militares que, na opinião sei lá de quem, prestaram relevantes serviços às Forças Armadas.
Muito bem, Sr Ministro.
Quando li a notícia pensei que Jobim, do alto de seu metro e noventa de altura e circunferência, estivesse prestando o reconhecimento aos que, em detrimento de seu conforto pessoal, dedicassem-se às guarnições de fronteira. Que não fosse isso, mas pelo menos quem tivesse ao menos refletido, estudado, formulado, ensinado doutrinas ou estratégias relacionadas à defesa pátria.
Bem, admitiria ampliar o conceito. Que fossem policiais em combate diário a bandidos-terroristas, nos morros ou nos conchavos de corrupção. Mesmo que virtual, condecorassem o Cap Nascimento.
Não esperava, no entanto, a premiação do próprio umbigo, a oferenda a ocupantes de cargos que, por sua influência, pudessem negociar os interesses políticos. Bem, nada é perfeito. Fosse um ou outro mas nem tantos.
Analisem alguns dos homenageados:

Ordem do Mérito da Defesa no grau de Grã-Cruz:
Ellen Gracie Northfleet, presidente do STF; Tarso Genro, Ministro da Justiça; Guido Mantega, da Fazenda; Paulo Bernardo, do Planejamento; Jorge Hage, da Controladoria Geral da União; Roberto Mangabeira Unger, de Assuntos Estratégicos; e o ministro de Estado da Defesa do Paraguai, Roberto Eudez Segovia.

Ordem do Mérito da Defesa no grau de Grande-Oficial:
Carlos Augusto Ayres de Freitas Britto, Joaquim Benedito Barbosa Gomes e Carlos Alberto Menezes Direito, Ministros dos STF; Sérgio Zambiasi, Senador (PTB-RS); além de vários deputados federais, ministros do Superior Tribunal de Justiça e militares, entre outros

Bem, sempre pode se afirmar que defesa é um tema de interpretação tão ampla e difusa que cabe em qualquer atividade. Assim, um ministro do STF, ao interpretar e Constituição, está tendo atuação destacada na defesa das instituições; os ministros da Fazenda e Planejamento, ao descontingenciarem verbas orçamentárias para as forças armadas, estariam no mesmo caminho.
Porém, o mais provável é que essa comenda, ao invés de expressar o reconhecimento do Estado à destacada atuação de um cidadão em excedente a suas obrigações funcionais, sirva somente para lustrar o ego de autoridades, compadres e companheiros.
Deixa de ser um reconhecimento do Estado para ser um agradecimento do Governo. Maldito presidencialismo que confunde as duas coisas.
Mas se essa é a regra do jogo, pelo menos deveriam criar a categoria de condecorações transitórias.
Teriam que devolver as medalhas no fim do mandato de quem as concedeu.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Devem ter esquecido do nome Ideli Salvati para completar a lista.

4:04 PM  

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