sábado, novembro 24, 2007

Democracia Bolivariana

O boquirroto Hugo Chávez insultou e ameaçou enviar para a prisão os religiosos que se manifestaram, em documento público, contra a proposta de mudança constitucional que será submetida a um referendo no dia 2 de dezembro. Além da ameaça de prisão, o vociferante bolivariano os rotulou de vagabundos, meliantes, aduladores, estúpidos e retardados mentais, dentre outros elogios.
Segundo Chavez, "São o demônio, defensores dos mais podres interesses, são uns verdadeiros vagabundos, do cardeal para baixo. Que rezem 100 pais-nossos e 100 ave-marias de joelhos."
Para melhor entender o destemperado ditador, a igreja católica venezuelana divulgou um documento em que critica a proposta constitucional porque "limita a liberdade dos venezuelanos, incrementa excessivamente o poder do Estado, elimina a descentralização e o governo controla muitos espaços da vida cidadã".
Não pretendo defender a atuação da igreja, até porque a Venezuela ainda é um estado laico e a igreja não é nenhum exemplo de evolução. Mas não posso desconsiderar duas coisas: em primeiro lugar, o manifesto tem toda a razão; em segundo, qualquer cidadão, do cardeal ao coroinha, do pastor ao pai-de-santo, tem todo o direito de expressar sua opinião. Isso, claro, numa democracia, sistema que está exalando seus últimos suspiros na Venezuela.
Ao contrário da manifestação inconseqüente de Lula, democracia não significa somente a ocorrência de eleições. Pressupõe a independência dos poderes, a primazia da lei, a liberdade de expressão e de opinião, dentre outros requisitos.
Isso Chavez ignora. Mantém um congresso de fachada, submisso. Promoveu expurgos no judiciário para lhe ficar simpático. Agora, com a ameaça de prender por opinião, o que exorbita a competência de um poder executivo democrático, comprova que de fato enfeixa em suas mãos o poder absoluto. E quer fazer isso também de direito, a partir do plebiscito.
Espero sinceramente que o povo venezuelano tenha suficiente juízo para recusar a proposta bolivariana. Da mesma forma, espero que o congresso brasileiro tenha visão bastante para aguardar o resultado do plebiscito chavista antes de aprovar o ingresso da Venezuela no Mercosul.
Ditaduras não podem aderir ao bloco.

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