terça-feira, dezembro 04, 2007

Diretrizes e Bases

Há cerca de 40 anos, foi implementada no Brasil uma reforma dos currículos escolares, no contexto da Lei de Diretrizes e Bases da Educação.
Até então, os currículos inspiravam-se na pedagogia européia, notadamente a francesa, com forte conteúdo generalista e humanístico.
Só relembrando.
A criança era matriculada no curso primário, com duração de 4 anos. Nos dois primeiros anos havia decoreba, sim. Be-a-bás e cantorias de taboadas davam o tom dos primeiros passos da alfabetização e das contas. Cartilhas tinham mais letras do que desenhos. Cadernos de caligrafia faziam parte dos exercícios.
Caneta, só a partir do 3º ano. Até então era lápis e borracha mesmo.
Saía-se do primário com o domínio da escrita e leitura, das quatro operações básicas, noções de história, geografia, lógica e aritmética.
Vinha o exame de admissão, mini-vestibular efetivamente seletivo para a próxima fase, o ginásio.
Às 4 matérias básicas - português, aritmética, história e geografia, acresciam-se o latim e o francês. Iniciava-se a viagem pela gramática, impulsionado pelo latim. No primeiro ano ginasial, aprofundava-se na aritmética com sua lógica, antes de adentrar pela álgebra.
Concluía-se o ginásio com o estudo completo da gramática portuguesa, 4 anos de latim, 3 ou 4 de inglês e francês, um ano de espanhol, domínio da álgebra elementar, geometria incluindo o desenvolvimento de teoremas, história e geografia do Brasil e mundial, além das noções fundamentais de física, química e biologia.
Para os próximos 3 anos havia um direcionamento. Ou aprofundava-se no estudo das ciências humanas, no curso Clássico, ou no campo das exatas, no Científico.
Em ambos os casos, provia-se a formação e informação adequadas para os que prosseguissem os estudos em algum curso superior. No caso do científico, por exemplo, a par da continuidade do estudo de línguas pátria e estrangeiras, história e geografia, os currículos das matérias ditas técnicas, como matemática, física, química e biologia superavam os conteúdos hoje presentes nos primeiros anos das universidades.
Os mais antigos podem comprovar o que afirmo.
Aí houve a guinada do modelo europeu para o americano. Mudaram currículos e nomes e conteúdos dos cursos. Aumentaram a carga horária e reduziram a profundidade. Nivelaram-nos à antológica ignorância americana, alienada em tudo que não se refira a seu próprio umbigo ou à Bíblia.
O resultado aí está, contabilizado em recente pesquisa promovida pela ONU, onde o Brasil situa-se na rabeira em matéria de formação escolar.
À mocidade não foi exigido que lesse. Como conseqüência, não sabe ler. A maioria dos alunos do atual segundo grau pode ser considerada analfabeta funcional.
Em números, não é diferente. Como o uso de calculadoras é incentivado desde os primeiros anos, ninguém consegue fazer uma conta de cabeça ou mesmo no papel. Raiz quadrada, pra quê? A calculadora dá o resultado na hora.
O fato é que o Brasil está cada vez mais ignorante e despreparado.
Talvez em caráter irreversível.

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