quinta-feira, dezembro 13, 2007

Terremoto Bolivariano

O boquirroto Chavez abriu de vez as baterias contra seu par colombiano, Alvaro Oribe. Em declarações públicas, classificou-o de mau-caráter, sem vergonha e outros epípetos nada elogiosos e incompatíveis com a gentileza diplomática entre chefes de estado.
Vindo de Chavez, o destempero é previsível e o depreparo evidente, pois considera as relações entre países como uma relação pessoal entre dirigentes.
Mas o que será que ele está efetivamente querendo? O que está realmente em jogo?
No tabuleiro político sul-americano, as jogadas do bolivariano estão cada vez mais claras. Mesmo que Chavez viesse a dominar politicamente toda a américa espanhola no sul, ainda assim isso representaria menos da metade do continente. O Brasil é o grande obstáculo ao poder bolivariano e seu objetivo principal. Mas não pode ser enfrentado isoladamente. Há que fazer um bloco hostil.
Há outras diferenças menores na América do Sul. Colômbia e Venezuela. Peru e Equador. Bolívia e Chile. Bolívia e Paraguai. Chile e Argentina. Se fomentadas, as diferenças podem tornar-se divergências. Chavez sabe disso. Mas, como juntar os pedaços?
A Colômbia representa o muro de contenção entre a Venezuela e o Equador. Esse é o primeiro passo concreto. Agredindo, atacando e aumentando a tensão entre os dois países, Chavez abre espaço para um conflito, para o qual está se preparando fortemente. Talvez não lhe interesse exatamente ocupar a Colômbia, aliada dos Estados Unidos, mas assegurar a continuidade territorial entre a Venezuela e o Equador, comandado por um regime favorável e em plena revisão constitucional bolivariana. As FARC podem ser o elemento de ligação.
O próximo passo é fomentar o conflito entre o Equador e o Peru, acirrando os ânimos sobre a faixa de fronteira contestada. Isso pode garantir o acesso à Bolívia, outro regime bolivariano em processo de reforma da constituição.
Claro que ainda é necessário impedir o esfacelamento territorial boliviano, em fermentação. Não é por acaso que está municiando o governo Morales com armas e assistência técnica para sufocar as quatro províncias, alguma fronteiriças com o Brasil, dissidentes. E também é necessário impedir a eleição de Oviedo no Paraguai, como forma de incluir aquele país no eixo bolivariano.
A neutralidade argentina já foi comprada com a aquisição de bônus no regime Kirchner e no financiamento da campanha de sua mulher, Cristina.
Acontecendo como planejado, o grande antagonista estará ilhado e outras disputas poderão acontecer com reduzida capacidade de reação do gigante adormecido.
Nosso Acre será contestado e talvez os territórios da margem direita do Rio Paraguai. Roraima? É possível.
A saída boliviana para o Pacífico, um similar ao corredor polonês, será cedido pelo Chile, que também estará isolado e talvez em discussões com a própria Argentina nos territórios do extremo sul. Vão-se os anéis, ficam os dedos.
O Uruguai, ou se alinha com um bloco ou com outro. O canto bolivariano não lhe diz muito mas a avaliação será estratégica para a decisão.
Não gosto de teorias conspiratórias, acho-as imbecis. Mas não há como prospectar o futuro sem teorizar sobre cenários com liberdade, mesmo viajando na maionese.
Esse cenário é possível? Em se tratando dos movimentos de Chavez, sim. E se acontecer, mesmo que parcialmente, significará o maior terremoto político em nosso continente.
Enquanto isso, o Ministro da Defesa limita-se a ser o chefe do aerodetran.

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