quinta-feira, janeiro 03, 2008

CPMF

Foram divulgadas as medidas para a cobertura orçamentária decorrente da não aprovação da CPMF.
Como era previsível, o governo não comprometeria os chamados programas sociais e reduziria os investimentos do PAC no mínimo necessário para manter as metas de superavit primário e equilíbrio fiscal.
O que surpreendeu foi que, pela primeira vez, o governo sinaliza para um corte de custos e numa aposta de crescimento econômico. Até então, todos os governos, inclusive este, sempre caminharam para o aumento de impostos para cobertura do aumento de seus dispêndios.
Outra surpresa foi mandar a primeira fatura para o sistema financeiro, normalmente o último a pagar qualquer coisa. E, subsidiariamente, distribuir o corte também para o legislativo e judiciário.
Aí haverá choro e ranger de dentes.
Os mesmos congressistas que na oposição exigem que o executivo enxugue sua máquina, nunca estiveram dispostos a provar do próprio remédio. Muito pelo contrário. As verbas de gabinete se acumulam e vemos sempre, aqui em Brasília, carros pretos da Câmara ou do Senado borboleteando à vontade. É sempre oportuno lembrar que um ascenssorista no congresso custa mais do que um médico no Executivo ou um major no exército.
No Judiciário a situação não é diversa. Novos palácios sendo construídos - projetos do Niemeyer, claro - mobiliados com luxo e guarnecidos de pessoal com desperdício.
Um e outro reclamarão e embargarão os cortes em sua máquina, em seus custos, em suas mordomias, alegando a independência dos poderes. Sem contar o batalhão de procuradores de todos os tipos, naipes e nomeclaturas, regiamente pagos e aprovados em concurso público com forte conteúdo técnico-jurídico mas sem avaliar a maturidade e bom-senso. Além dos ditos tribunais de contas, cabide para políticos sem mandato porém bem relacionados com sua categoria, a ponto de descolar a mamata vitalícia. E também com seu séquito de funcionários muito bem pagos.
Tudo isso deixará muito clara a distância entre o discurso e a prática de segmentos demagogos que fizeram da CPMF seu palanque. Estão sempre jogando pra platéia, pra catuléia desinformada e conduzida por um ou outro editorialista. Será até divertido acompanhar a reclamação.
A gente vai pagar o pato de qualquer forma...

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