sexta-feira, maio 18, 2007

Navalha na Carne

Ontem foram apresentados os primeiros resultados da Operação Navalha, iniciada pela PF em 2005, para investigar os descaminhos do dinheiro público. Há pouco mais de um mês, outras duas operações, uma tratando de venda de sentenças judiciais, outra da promiscuidade de agentes públicos com o crime organizado, também acarretaram prisões.
O interessante é que de forma crescente são indiciados figurões da nobreza republicana.
Antes, só pegavam os bagrinhos. Agora chegam nos tubarões. O que mudou?
Há quem diga, não sem algum despeito, que isso só acontece porque Lula é um comunista enrustido que quer demolir as classes dominantes. Minha impressão, porém, é diferente.
Minha sensação é de que nunca a PF pode agir com tanta isenção, sem pressões governamentais para não apurar o envolvimento de amigos.
Desta vez tornou-se público o envolvimento de governador e ex-governador, de deputado, de prefeito, de assessores ministeriais etc. De vários partidos diferentes, incluindo o PT e PSDB.
Essas ações só podem acontecer porque quem as autoriza não tem compromissos escusos. Caso contrário, os indiciados abririam o bico e os envolveriam.
Esbraveja-se nos plenários, parlatórios e em alguns jornais, acusando o governo Lula de ser o mais corrupto da história brasileira. E, para os desavisados, faz até todo o sentido. Afinal, em que outro momento da história tantos juízes, desembargadores, parlamentares e membros da nomenklatura estatal foram flagrados na prática de corrupção, de prevaricação, de fraudes? Porém, vale a pena pensar. É de agora ou vinha acontecendo há muito tempo?
Na óbvia resposta também está o esclarecimento.
Nunca havia sido apurado porque os dirigentes estavam tão comprometidos com esses processos que sua investigação implicaria também em suicídio político. Parece que agora está ficando diferente.
Ladrão não abre a porta do canil. Se agora está aberta, que a abriu não teme os cachorros.
O cinismo que esposou a política brasileira é gigantesco. A cara de pau não tem limites.
Ontem mesmo, no programa do PTB, Roberto Jefferson interpretava o papel de defensor dos trabalhadores, numa postura demagógica e equivocada de que reforma trabalhista significaria retirada de direitos, e que a isso ele se oporia.
É assustador!
Há um ano, indiciado que foi, confessava publicamente o desvio de dinheiro público. Dinheiro da saúde e educação desses mesmos trabalhadores que agora jura defender.
E assim se praticou e ainda se pratica a política brasileira.
A luz no fim do túnel é exatamente a postura adotada pelos atuais dirigentes de deixar apurar, indiciar e encaminhar à Justiça figurões que até então eram intocáveis.
Será que o governo Lula, se fosse corrupto como alguns afirmam, se arriscaria a tanto?

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