quinta-feira, maio 10, 2007

Muy Amigo

O prazo dado pela Petrobrás à Bolívia, autorizada que foi pelo governo brasileiro para solucionar o conflito decorrente do confisco dos ativos, está se esgotando.
Morales, de quem Vargas Llosa recentemente afirmou não saber se se tratava de um indigenista, um demagogo, um oportunista ou um inútil, continua apostando, numa conversa mole monotônica, que resolverá o conflito diretamente com Lula.
Realmente, a cada dia que passa, esse senhor mostra mais seu depreparo institucional para conduzir um país, mesmo que se trate da Bolívia, cujas tradições de respeito aos direitos não criou raízes.
Esses ditadorezinhos continuam achando que se confundem com os países que comandam, numa versão tropical de Luiz XIV - l'Etat cest moi.
Pensa que a vontade de Lula pode prevalecer sobre o regime jurídico brasileiro. Pensa que é um negócio entre amigos.
Muy amigo!
Lula cada vez mais percebe que os verdadeiros antagonistas do Brasil aglutinam-se num eixo que vai de Buenos Aires a Caracas. Cada vez fica mais patente que a existência do Brasil os ofende, por seu tamanho, por sua riqueza, por sua população, por sua origem não hispânica e, principalmente, por seu regime jurídico. As diferenças acentuam-se a cada momento.
Não passam despercebidas do governo brasileiro as críticas veiculadas por Fidel ao programa de energia alternativa, formuladas por Chavez e possivelmente até escritas por ele.
Entretanto, Morales acha que tudo pode se resolver por um acerto de compadres. Alegou bom diálogo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e descartou a possibilidade de discussões na Justiça internacional sobre as duas refinarias.
Não tem alcance para entender que não se trata de mera perda patrimonial da Petrobrás. Trata-se de um princípio internacional de respeito aos investimentos e aos atos jurídicos perfeitos.
Trata-se de determinar os limites suportáveis à legião de populistas e demagogos que nos cercam. Basta de atacarem gratuitamente o Brasil. Trata-se não de fato econômico, mas de soberania nacional.
E, nesse particular, Lula não tem autonomia - e nem disposição - para transigir.
Talvez a tivesse, fosse presidente da Bolívia.

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