segunda-feira, maio 07, 2007

Rabo Preso

A base governista continua agindo com conseqüências protelatórias na chamada CPI do Apagão, a quem estão chamando também, de CPI do Segundo Escalão.
Na realidade, ou a maioria emerge das urnas ou a composição posterior de uma maioria no Congresso tende à negociação.
O Dep Eduardo Cunha, tido como negociador de vagas para peemedebistas, emerge com sua competência e sabedoria nesse campo, com seu savoir faire.
Extraí o resumo de seu currículo no site da Câmara:

"Auditor, Arthur Andersen, Rio de Janeiro, RJ, 1978-1980; Economista, Xerox do Brasil, Rio de Janeiro, RJ, 1980-1982; Presidente, TELERJ, Rio de Janeiro, RJ, 1991-1993; Sub-Secretário de Habitação do Governo do Rio de Janeiro, 1999; Presidente, CEHAB, Rio de Janeiro, RJ, 1999-2000"

Se for verdade o que se comentava, o currículo está incompleto. Teria sido o tesoureiro responsável ou partícipe da arrecadação de fundos para a eleição de Collor. Como se sabe, o maestro da arrecadação era PC Farias, com quem, certamente, se entendia nos atos e fatos.
O prêmio foi assumir a Presidência da Telerj, inaugurando uma fase ainda mais controvertida na gestão daquela empresa, que não somente nesse período mas antes e depois, sempre foi acusada de ineficiente e, no mínimo, fonte de corrupção.
Estou convencido que os processos de gestão da Telerj foram os principais responsáveis pelo iludido apoio da opinião pública e da mídia dominante à farsa da privatização. Segundo declaração da jornalista Miriam Leitão, até mercado negro de linhas telefônicas era operado nas instalações da Telerj, certamente por alguma entidade apaniguada.
Saiu com a queda de Collor.
Mais recentemente, foi guindado pela pelo governo do Rio de Janeiro (sempre o coitado do Rio) para atuar na área de habitação.
Embora haja matéria jornalística a respeito, não possuo evidências para afirmar que sua atuação foi semelhante à exercida na finada Telerj. Mas posso supor que sim, dado o teor do jornalismo investigativo.
Não há dúvida que o Dep Eduardo Cunha representa parcela significativa do eleitorado do Rio de Janeiro. Se a população carcerária pudesse votar, também certamente conseguiria eleger um representante, ou mais, na Câmara Alta. O que não referenda e anistia seu passado.

A Min Dilma tem sido uma voz discordante quanto à utilização de nomes tão controvertidos - e até comprometidos - de alguns deputados. Mas está sendo atropelada pelos acontecimentos e, quiçá, pelas chantagens políticas. Há medidas do PAC a serem votadas, há reformas a serem implementadas.
Está certa a Min Dilma, visto pelas faces da ética, da reputação e da moral ilibada. Está errada a Min Dilma, quando dificulta a composição, quando não assume a teoria do "vão-se os anéis, ficam os dedos" e prejudica o andamento das votações.
Não tivesse o Governo demonstrado medo da CPI do Apagão, talvez os argumentos e a repercussão fossem menores. Agora é tarde.
A ninguém mais convence que o governo não tem algo a esconder.
Rabo preso, por exemplo.

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