quinta-feira, maio 17, 2007

Dólar Furado

Não é de hoje que se sabe da crescente fragilidade da moeda americana. Os Estados Unidos vêm sacando dinheiro do nada para financiar seu déficit e suas aventuras bélicas. Emitindo moeda falsa à custa da contabilização de reservas escriturais dos países. Um dia, vai estourar.
O Brasil superou a marca de US$ 120 bi em reservas. Bom negócio? Sei lá! Vejamos:

- Recebe remuneração em torno de 5% sobre esse valor e paga cerca de 13% ao mercado;
- O dólar está se desvalorizando em todo o mundo, não é fenômeno isolado do Brasil. O montante das reservas em dólar, mesmo que nominalmente constante, perde valor a cada dia;
- Quanto mais dólar, especulativo ou não, entra no Brasil, mais a cotação cai. Menor, em conseqüência, a competitividade da produção local.

No primeiro instante, paga-se preço menor pelos bens e serviços de preços internacionais, auxiliando no controle inflacionário. Mas, como sempre, não há mágicas. O que se saca hoje, paga-se amanhã.
A perda da competitividade implicará na quebra de diversos setores e na transferência de posições de trabalho para os países exportadores. Leia-se redução da renda interna.
Quando a bolha do dólar explodir, nossas reservas valerão muito pouco. Não teremos dinheiro para sustentar a farra das importações baratas e teremos destruído a capacidade interna de produzir. E lembremo-nos que o governo FHC liquidou a capacidade de pesquisa e desenvolvimento nacional.
Erra Lula quando diz que o dólar barato é bom para o assalariado. Esquece de dizer que, se continuar a queda, poucos assalariados continuarão a sê-lo.
Algumas medidas poderiam reduzir o impacto dessa orgia.

-A redução acelerada da taxa de juros Selic, para reduzir o ingresso de aplicações;
-A taxação de capitais especulativos, garotos(as) de programa a gerar lucros noturnos a seus cafetões instalados na Wall Street. Hoje, a compra de títulos do governo são isentos até de CPMF;
-Rever a cesta de moedas que compõem as reservas, carregando mais no euro do que no dólar;
-Recomprar empresas tipo Vale, cujas reservas em metais não perdem valor. Não precisamos utilizar os mecanismos e seqüestros bolivarianos. Basta comprar as ações em bolsa;
-Redução imediata da carga tributária, incluindo contribuições sociais;
-Rever a regulamentação de internação das exportações, hoje fixada em 70%;
-Parar de utilizar politicamente o dólar barato como uma vitória mercadológica, induzindo a população a um ufanismo de considerar que nossa economia é mais forte que a americana, apesar de tudo.

Economia, como sabemos, não é uma ciência exata, neutoniana. Contrariando a física, a cada ação corresponde, sim, a uma reação. Mas não necessariamente de mesma intensidade e de sentido contrário. Daí a cautela que esse assunto deve ser tratado.
Até por cobrar um preço alto pelos erros.

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