quarta-feira, março 21, 2007

Mercosul?

A Argentina vive uma bolha de crescimento artificial. Afirmo isso comparando com o aqui verificado por ocasião do lançamento dos sucessivos planos demagógicos que congelavam preços. Também aqui, no primeiro instante, houve elevado crescimento do PIB. Aqui, como lá, essa situação economicamente insustentável é sucedida por um período de crescimento negativo, de recessão.
Lá na Argentina, que ainda não saiu da moratória e tem dificuldades em acertar seus débitos com o Clube de Paris, a demagogia vai além da economia. É o populismo de Kirchner, aliado da política hegemônica do bolivariano (?) Chavez.
A liderança de Chavez só subsiste enquanto tiver petrodólares para financiá-la. Os programas energéticos brasileiros representam-lhe uma ameaça. Daí a necessidade de isolar o Brasil, promovendo um cerco muito mais abrangente do que o tentado por Solano Lopez, que nos levou a uma guerra de 5 anos.
E o ponto mais vulnerável para atacar e promover o desgaste brasileiro é a Petrobrás, indelevelmente vinculada ao Estado brasileiro, tão vinculada que nem o FHCalabar teve coragem para vendê-la.
A última é do ministro argentino do Planejamento, Julio de Vido, declarando que os contratos da Petrobrás na Argentina "serão seriamente afetados" se a empresa não realizar os "investimentos necessários" no país. "O Estado vai avançar se não se adaptarem às suas obrigações contratuais", disse o ministro, com ampla repercussão na mídia portenha.
A Petrobrás foi para a Argentina no contexto de aproximação e fortalecimento do Cone Sul. A estatal YPF encontrava-se em estado pré-falimentar, num país de economia instável, politicamente instável e com reservas de petróleo decadentes.
Hoje a Petrobrás detém 10% do mercado de petróleo e gás da Argentina, mas é a primeira empresa integrada da área energética no país. Atua na exploração, produção e venda de petróleo, gás e seus derivados e na distribuição de eletricidade.
Para que se tenha idéia da dimensão do mercado argentino, lá, a Petrobrás opera com 750 postos de combustíveis, o que deve ser menos do que possui na Grande de São Paulo. Não tenho dados, mas acredito que o PIB argentino e dessa região metropolitana sejam próximos.
Todo esse auê em rítmo de tango é pretextado por uma declaração do presidente da Petrobrás, num seminário, ao responder um questionamento sobre a política de preços argentina e ter declarado, no contexto da resposta, que congelamentos de preço, em geral, implicam em realinhamentos periódicos, sem o que provocam desestímulo de investidores.
Bastou isso para ouriçarem-se todos, quase dando ares de crise diplomática, com cobrança de esclarecimentos entre chancelarias. Vejo o bolivariano (?) atrás dessas atitudes.
É ridículo.
Em minha opinião, o Brasil deveria repensar sua política de investimentos nesses países que estão sempre buscando antagonismos conosco, cuja política de governo é de nos atirar pedras.
O programa de investimentos da Petrobrás, lançado em agosto de 2006, destina 2,4 bilhões de dólares para inversões na Argentina, no período 2007/2011, representando 85% do total programado para o Cone Sul. É o maior investimento da estatal além-fronteiras.
Melhor seria investir aqui mesmo no Brasil ou então em países mais confiáveis.
Será investimento perdido.

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