terça-feira, março 13, 2007

Silêncio dos Bons

Recebi a informação de que o Governo Lula está projetando unificar as áreas de comunicação do Executivo e haveria convidado o jornalista Franklin Martins para chefiá-la, convite ainda não aceito.
Na mesma informação, como um alerta conspiratório, eram relacionados outros participantes da surda luta armada que se instaurou na Brasil na primeira metade do período revolucionário de 64, vencida pelo poder central.
Dentre os então guerrilheiros citados estão:

Dilma Roussef, Ministra Chefe da Casa Civil ("ESTELA", "LUIZA", "PATRICIA", "WANDA"). Acompanhou a fusão entre o COLINA e a Vanguarda Popular Revolucionária, que deu origem à Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-P).

Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais. Em 1972 um enorme carregamento de armas enviadas pelo governante de Cuba, Fidel Castro, para a "defesa da revolução socialista" foi descoberta em sua casa.

Tarso Fernando Herz Genro ("CARLOS, "RUI"), ministro das Relações Institucionais. Em 1966, atuava na UNE e era militante do PC do B. Atraído para a luta armada, saiu do PC do B e ingressou, em 1968, na Ala Vermelha. Em 1970, ficou preso durante três dias no DOPS; solto, fugiu para o Uruguai. Na década de 80, foi militante do clandestino Partido Revolucionário Comunista (PRC).

Franklin de Souza Martins ("WALDIR", "FRANCISCO", "MIGUEL", "ROGERIO", >"COMPRIDO", "GRANDE", "NILSON", "LULA") Em Abr 69, foi eleito para a Direção Geral do MR-8 e, em meados desse ano, participou do seqüestro do embaixador dos EUA.- Em fins de 1969, fugiu do Brasil no esquema da ALN, indo fazer curso em Cuba.

Sem entrar no mérito do texto, pergunto: E daí?

Todos eles amadureceram e trocaram as armas. Acho que é de von Klausewitz a frase de que guerra é política com derramamento de sangue e política é a guerra sem. É possível.
Conquistaram o poder pelos meios legais, com o apoio da maioria da população numa livre escolha.
Não se pode dizer que estão a serviço de qualquer Estado que não o brasileiro. Não consta que tenham doado a infra-estrutura nacional a estrangeiros nem que a eles tenham alienado o subsolo brasileiro. Esse conjunto de ex-guerrilheiros, pelo contrário, tem mantido uma política nacional altiva, diferentemente de outros tempos em que o chanceler brasileiro teve que tirar os sapatos na imigração em Washington para ser revistado. Em missão oficial.
Os que lutaram contra eles também amadureceram. Têm melhor entendimento de seu papel institucional. Também submetem-se à lei, sem ameaçar crises a cada instante.
Franklin Martins é um jornalista respeitado e um dos comentaristas políticos de maior credibilidade no Brasil. Que bom se aceitar o convite.
Quanto a ficar revolvendo o passado, é vontade de procurar pêlo em ovo. Na época, muitos jovens, com indignação combativa, buscaram o rumo certo mas com caminhos errados. Falhou nossa geração em não lhes apontar o melhor caminho, por meio de uma formação política crítica e não dogmática.
Esses jovens envelheceram. Que bom para o Brasil se, a cada nova geração, surgirem outros indignados, dispostos a mudar o estabelecido mesmo com riscos pessoais, de promoverem a evolução. Cabe a nós fornecer-lhes as ferramentas para o melhor discernimento, para a capacidade de criticar os caminhos, de não serem pura e simplesmente conduzidos. De pensarem. De não adotarem o pior caminho.
Nesse momento, a frase de Martin Luther King é intrinsecamente atual:
"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons."

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