segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Operação Uruguai

Lula tem hoje uma oportunidade ímpar de exercer o papel de liderança brasileira na América do Sul. O Uruguai tem sido maltratado nas relações com o Mercosul. Tem sido considerado um sócio minoritário do bloco. É verdade que o poder nacional uruguaio é similar ao do Estado do Rio Grande do Sul. Mas a posição subalterna é insustentável.
O Uruguai é muito importante para o Brasil, tão importante quanto a recíproca. Ou o Brasil adota políticas de parceria com o Uruguai, de forma a aliarem-se nas mesas do Mercosul, ou o entregará de bandeja à influência americana.
O Brasil tem necessidade de aliados, frente a uma progressiva hostilidade de seus vizinhos. No eixo oeste, Chavez tenta consolidar sua liderança pessoal bolivariana (?). Ao sul, a Argentina é antes muito mais competidora do que aliada. O Uruguai pode ser um tampão, o fiel da balança no bloco, agindo conjuntamente com o Brasil.
E o Brasil tem se omitido. Por medo das chantagens argentinas. Por medo da vulnerabilidade fomentada por Chavez. Por miopia política.
O Uruguai não tem muito a oferecer no campo econômico, é verdade. Mas no político, tem muito.
A mediação conduzida por Juan Carlos na disputa uruguaio-argentina é um tapa de luva na América Latina. É a mediação da metrópole em suas eternas colônias. Por que o Brasil não agiu no momento oportuno? Por receio das chantagens portenhas.
Acontece que quem pretende uma posição de destaque nas relações internacionais, sonhando até com vaga permanente do CS da ONU, tem que ter a disposição de correr riscos.
Risco muito maior está correndo com o progressivo isolamento por seus vizinhos.
Tomara que Lula esteja bem assessorado e tenha competência para reverter o jogo. Se não, o Uruguai passará à área de influência direta americana e o Brasil perderá um aliado.

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