domingo, fevereiro 18, 2007

Super Bolivar

Lá vem o Chavez, Chavez, Chavez...
A partir de jan/08, entrará em vigor o decreto de Chavez cortando três zeros do bolivar, moeda nacional. Fica criado, assim, o superbolivar.
Esse caminho nós conhecemos. Com uma inflação próxima a 20% aa, um déficit crescente, ações populistas e ambições continentais, Chavez está percorrendo a falácia do controle psicológico da inflação ao invés dos difíceis caminhos da austeridade fiscal.
Quer dar a impressão de moeda forte, enquanto ela mais e mais se enfraquece.
O que temos com isso? Nada e tudo.
Nada no que se refira à Venezuela. Tudo no que se relaciona ao Mercosul.
Medidas dessa jaez tornam cada vez mais distante a possibilidade de uma integração econômica do bloco. A tentativa de derivá-lo para um bloco político é fadada ao fracasso por sua própria natureza.
Para justificar suas mazelas, o Brasil se torna a bola da vez. Um bom exemplo é Itaipu.
Construída com recursos brasileiros, ao Paraguai foi concedida uma pensão perpétua, com nosso compromisso de compra da energia não utilizada por eles.
O que se vê agora, sob inspiração chavista: os candidatos à presidência paraguaia já falam em majorar o preço da energia fornecida ao imperialista Brasil, explorador dos fracos e oprimidos.
Não nos iludamos, atrás dessa manobra está o comando político da América do Sul (leia-se Chavez) e do hermano do sul, que certamente estará disposto a fazer uma oferta por essa energia gerada em valor superior ao hoje praticado, com o fim específico de causar o desequilíbrio brasileiro. Assim o professor Girafales fez com relação ao gás boliviano.
Chocando o ovo da serpente, o Brasil está criando a maior corrente antagônica de sua história, desde a colonização espanhola. Está ficando ilhado entre potenciais inimigos e o mar.
Enquanto isso, continuamos tratando-os como amigos. Saídas para o mar e escoamento por portos brasileiros, por exemplo, já são consideradas como uma obrigação, não como um favor.
Recentemente, além do perdão de U$20 milhões à Bolívia, estamos engrossando seus cofres em perto de US$ 100 milhões anuais. Continuamos aceitando chantagens argentinas e deixamos escapulir pelos dedos a oportunidade de manifestar apoio ao Uruguai em assunto interno seu mas contrário ao interesse portenho.
Se é para sermos considerados imperialistas, então o sejamos realmente.
Para que ficarmos somente com os ônus?

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