segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Vitória de Pirro II

Michel Temer, presidente do PMDB, declarou que seu partido terá ampliada a participação no novo ministério, de acordo com o que lhe disse Lula.
Faz sentido, pois essa parecia ser sua intenção, retardada pela vitória de Chinaglia.
Lula, faça-se a restrição que quiser sobre ele, é um craque na arte da negociação. Adoçou a boca do PT em sua reunião em Salvador, na semana passada. Aplacou a ala majoritária, fazendo menção explícita ao "prezado companheiro Zé Dirceu", mesmo com o antagonismo pessoal latente e crescente. Acalentou a esquerda festiva, desejando pronta recuperação a Fidel Castro, a quem, suponho, está pouco se lixando. Explicitou atitudes indignas de petistas, incentivando nos bastidores o movimento de refundação do PT, pugnada pela ala gaúcha do partido.
Fez cafuné em gregos e troianos, sem desconsiderar os persas, medas e trácios.
Dá uma no cravo, outra na ferradura. E mantém o PT em suas mãos.
Pode-se dizer que seu governo é um reflexo dessa capacidade de enrolar.
Um líder republicano, feroz adversário pessoal e político da família Clinton, reconheceu que a matriarca Hillary é conhecedora das artes e manhas da política pela sua capacidade em estabelecer os acordos possíveis, desde que indispensáveis.
Lula não é diferente. Cacoete de sindicalista.
É uma pena que, no arcabouço de uma constituição parlamentarista na essência e presidencialista na forma, não haja espaço para um chefe de governo que assim não aja. É uma pena porque só sobrevivem governos medíocres, governos de composição e não de coalizão, de repartição de oportunidades e não de responsabilidades, de conversês e não de executês.
Seria bom que, na reforma política dessem condições de governabilidade em novo estilo, encerrando a dicotomia constitucional. Ou bem presidencialismo, ou bem parlamentarismo.
Mas essa reforma não sairá nunca da promessa.

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