segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Sacrossanta Hipocrisia

O projeto de lei aprovado na quinta-feira passada na Itália, que regulamenta o casamento entre casais heterossexuais e homossexuais, bem como a vitória da legalização do aborto em um referendo em Portugal, ensejam reações.
Declarou Bento XVI que "Há normas que precedem toda lei humana e que não admitem intervenções da parte de ninguém. A lei escrita pela natureza é a única e verdadeira garantia que temos de poder viver livres e de ser respeitados..."
Continua o Papa: "Nenhuma lei escrita pelos homens pode subverter a norma do Criador sem que a sociedade seja dramaticamente ferida em seu fundamento. Ao fragilizar a família se penaliza a sociedade".
E mais: "O Concílio Vaticano II reiterou que a instituição do matrimônio é estável por ordem divina e que por isso este vínculo é sagrado pelo bem dos cônjuges, dos filhos e da sociedade.
Mudar o matrimônio não depende do arbítrio do homem e nenhuma lei escrita pelos homens pode subverter esta norma do Criador."
Interessante, o Papa. Esquece-se que leis não mudam costumes sociais, somente os incorporam ao direito positivo.
Há menos de 500 anos, o Vaticano ainda utilizava os castrati para os cantos sacros e, sabe-se lá, para que outros fins. Nos tempos atuais, a manutenção do celibato obrigatório também é uma contradição às leis naturais por ele invocadas.
De fato, se a castração de meninos só podia ser realizada por mentes criminosas, incentivadas pelo aval do pontificado, o celibato só pode ser praticado por três tipos de pessoas: os santos, que transcendem a carne; os loucos, que a repudiam; e os hipócritas, que fingem praticá-lo. Talvez o Papa esteja na primeira categoria, mas o grosso do clero, a luz dos casos de pedofilia e pederastia enrustida, formam o maior contingente.
E vem o Papa com esse discurso anacrônico, artificial e mais falso que nota de três Reais.
Abraão, criador do Deus acolhido pelas principais religiões monoteístas (judaísmo, cristianismo e islamismo) é o mesmo que conviveu em concubinato. E dispôs-se a praticar o sacrifício humano com seu filho.
E onde está a norma do Criador?
Por acaso Bento XVI é seu intérprete irrefutável? Tem uma linha direta, um contato intimo, uma procuração que seja?
Está mais do que na hora desses elementos, por boa-fé ou por má, pararem de usar o nome de Deus para defender seus pontos de vista.
Para Bento XVI, até a camisinha - questão de saúde pública - é contrária às leis de Deus.
E fica a pergunta que não quer calar: sendo Deus onipotente, por que então permite?
Acho que, na verdade, Ele não está nem aí para as estripulias que façamos aqui na terra.
Apesar do esperneio dos Papas.

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