domingo, fevereiro 04, 2007

Que$tão de Fé

"Inaugura-se na capital paraibana mais um dos suntuosos templos da autodenominada Igreja Universal do Reino de Deus."

Com esta frase, o Arcebispo de João Pessoa-PB inicia sua crítica à inauguração do novo prédio climatizado, com meio hectare, em uma das principais avenidas de João Pessoa.
Sem enveredar pelos caminhos tortuosos das crenças e da fé, mas somente como reflexão laica, fico pensando sobre as diferenças entre as diversas correntes.
Na declaração do Arcebismo, vejo um tipo mea-culpa institucional. A Igreja Católica, que dominou o mundo desde Constantino até a metade do século XX, sempre prezou pela suntuosidade de seus templos. Muitos deles construídos com recursos não somente obtidos pelo medo do inferno, mas por confiscos, extorsões, indulgências plenárias, escravaturas e inquisições.
O Arcebispo, ao criticar a suntuosidade do templo concorrente, esquece as basílicas.
Por outro lado, os dirigentes de diversas correntes pentecostais, praticantes da chamada teologia da prosperidade, vendem milagres e cobram caro por eles. E esse é um bom artigo para vender. Se o comprador não receber em vida, resta a esperança de recebê-lo após a morte. Defunto algum pode reclamar no Procon ou exigir a nota fiscal.
Além de meio de vida, constróem templos (novos pontos de venda) como o criticado. São uma empresa, strictu-sensu, com faturamentos previstos e rotinas de distribuição e repartição do arrecadado.
Porém, enquanto uma vendeu o medo, a outra vende a esperança. Por isso cresce. Em ambos os casos há um sutil estelionato.
Judeus, muçulmanos e cristãos, no fundo, cultuam o mesmo deus, revelado por Abraão. Maior afinidade de crença entre si, ainda, se verifica nas correntes cristãs. O que não impede que guerras se travem sob seu pano de fundo, como na Irlanda, nos dias de hoje.
Também, todas abandonaram os ensinamentos de Cristo, em especial a tolerância, pela busca do poder temporal, o único capaz de propiciar férias em St Marteen ou palácios episcopais.
O que se espera é que a disputa econômica por fiéis e por dízimos não passe disso, ou seja, divulgação de notas oficiais e xingamentos nem tanto. Que não enverede pela radicalização e violência.
Nesses casos, sempre feita em nome de Deus.

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