quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Cruzado Bolivariano

O bolivariano (?) Chavez está estudando se os poderes extraordinários, outorgados por um congresso controlado por ele, dão-lhe capacidade jurídica para revogar a Lei da Oferta e da Procura.
Não que seja burro, muito pelo contrário, embora suas estrelas de tenente-coronel não lhe tenham fornecido as luzes necessárias para entender que aumento de preços e escassez de produtos podem ser faces diferentes da mesma moeda: inflação.
Na inflação capitalista, os preços aumentam, não necessariamente por redução da oferta, pelo aumento de custos ou de demanda. Aumentam preventivamente, nominalmente.
Sendo a moeda um parâmetro de trocas, um mínimo múltiplo comum, não há alteração do valor real dos bens e sim do nominal.
Já na inflação socialista estatizada, os preços são tabelados. A inflação, nesse caso, é sentida pela escassez do produto, já que seu valor nominal permanece inalterado.
Emitir moeda falsa é a maior tentação dos governantes. Os lúcidos sabem que o equilíbrio fiscal é a única forma de não precisar emití-la, independentemente do sistema econômico adotado. Mesmo que isso signifique menos obras, menor capacidade de implementação de programas, maior impopularidade e menor crescimento real.
Os demagogos, ao contrário, falsificam moeda para cobrir os desequilíbrios fiscais. Realizam mais no primeiro momento, dão asas a uma falsa redistribuição de renda, vociferam discursos populistas sempre atacando terceiros. Não têm autocrítica. E geram o caos.
Esse é o caso de Chavez.
O projeto de caudilho fala agora em nacionalizar frigoríficos, supermercados e outros pontos de venda. Alega que há uma conspiração nascida nos Estados Unidos para comprometer o abastecimento de alimentos ao povo venezuelano, por isso as prateleiras estão vazias e o mercado negro prospera. Como os preços são tabelados, claro que estão faltando produtos.
Não olha para si, para o desequilíbrio fiscal de seu governo, para seus atos.
Pensa poder revogar a Lei de Oferta e da Procura. Se não resolver, certamente revogará a Lei da Gravidade, o que evitará que os preços flutuem.
Esses ditadorezinhos sulamericanos, pequenos por sua própria natureza e grandes na bazófia, são uma vizinhança terrível, a que estamos condenados geograficamente a conviver. Que nos desacreditam. Que nos geram antagonismos, por sermos diferentes. Que nos dão maus exemplos.
O bolivariano (?) Chavez um dia será deposto, porque ditadores não são substituídos pelas urnas. Mas, até que isso aconteça, poderia aconselhar-se ao vivo com Sarney e em sessão espírita com Dilson Funaro, sobre o Plano Cruzado.
Quem sabe lhe ensinariam como laçar boi no pasto.

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