sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Greve Penal

Presidiários em São Paulo declararam-se em greve. Recusam-se a sair das celas, tomar banho de sol, executar suas atividades diárias. Palavras de ordem: Fim da Opressão.
Fantástico. Surrealista.
A greve, em princípio, é um movimento de trabalhadores. Exceção, claro, de algumas categorias de funcionários públicos, que fazem greve mas não trabalham. Talvez sejam eles os inspiradores - não mentores, inspiradores somente - dessa nova classe de greve.
Fico sem entender. Esses bandidos estão na cadeia impedidos de execerem seu trabalho, que se resume a assaltar, matar, estuprar, aplicar golpes, incendiar ônibus, traficar drogas.
Claro que, vez por outra, exercem essas atividades na cadeia mesmo. Afinal, o ócio permanente enfada.
Se estão impedidos pela reclusão de exercer suas atividades, que greve é essa? Já não estão trabalhando mesmo.
Bem, o criminoso Andinho, bandido conhecido e acusado de co-autoria do assassinato do prefeito de Campinas, recusa-se a comparecer a seu julgamento, em razão da greve. Ah! Tá explicado.
Qualquer cidadão, se convocado a comparecer a uma delegacia de polícia e se recusa, a ela é conduzido sob vara, na expressão jurídica. O Andinho não.

-Tô di grevi, autoridade. Tenhos meus direitos constitucional. I não se atrevam a botar as mão em mim, tá ligado?
- Sim, senhor recuperando, responde a autoridade. Esteja tranqüilo em sua cela enquanto perdurar a greve. Seus direitos estão assegurados, bem como suas três refeições diárias. É uma obrigação da sociedade, que não zelou para que VExa não enveredasse pelos caminhos do crime.

E o julgamento do Andinho está adiado até o fim da greve.

ET: O Andinho, apesar da greve branca, foi condenado a 5 anos e 5 meses de prisão por tentativa de homicídio contra dois policiais. O julgamento, portanto, não foi adiado e a Justiça de Campinas, pelo visto, agiu com firmeza. Parabéns ao Juiz.

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