quinta-feira, março 29, 2007

Grevistas Federais

Anunciam-se greves dos funcionários do Banco Central e da Polícia Federal. Os primeiros pleiteiam equiparação com os auditores fiscais. Os segundos, o cumprimento de um acordo, ainda meio nebuloso, que teria encerrado a greve do ano passado. Se for devido, deve ser cumprido. Para tanto, existe a Justiça para reparar as quebras de contrato. Que recorram a ela.
O que acontece é que algumas categorias de funcionários públicos descobriram o filão de engordar seus vencimentos. Pela chantagem.
Não abrem mão de algumas facilidades, como licença-prêmio, aposentadoria integral, estabilidade no emprego. Entendo que carreiras do Estado devam ter estabilidade, para não virarem funcionários de governo. Mas daí a utilizarem os mesmos mecanismos reivindicatórios dos empregados da iniciativa privada, o bom dos dois lados, é brincadeira de mau gosto.
O instituto da greve pressupõe um reequilíbrio entre os ganhos do trabalho e do capital. Ambos são intrinsicamente ligados, desde o nascimento, xifópagos, na iniciativa privada.
No funcionalismo público, qual a relação?
Chantageiam vergonhosamente a sociedade, paralisam todas as atividades, prejudicam cidadãos.
Há que se regulamentar urgentemente a greve no setor público.
O mais surpreendente é que ambas as categorias pertencem ao seleto grupo dos mais bem pagos no serviço público. Do Banco Central não tenho parâmetros atualizados. Da Polícia Federal, o salário inicial de um delegado gira em torno de R$ 6 mil e o teto chega a R$ 15 mil. Isso foi dito por um dos líderes da greve, hoje, ao apresentador Carlos Alberto Piotto, da CBN.
O salário-teto de um médico é R$ 4 mil. De um professor do ensino médio, também. De um ministro, cerca de R$ 8 mil.
Enquanto isso, greves anuais se sucedem. Quando não é uma categoria, é outra.
Se querem ser funcionários públicos, é para servirem ao público.
Não para servirem-se dele.

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