quinta-feira, março 29, 2007

Alimentos Bolivarianos

Fidel assinou um artigo publicado no Granma, com o título "Mais de 3 bilhões de pessoas no mundo condenadas à morte prematura por fome e sede". Nem no título consegue deixar de ser prolixo.

Critica a intenção americana de promover o uso de combustíveis alternativos, como o etanol. Classifica como "idéia sinistra" transformar alimentos em combustível. Diz que chegou a essa conclusão após muito meditar sobre o assunto, que seria necessária uma colheita gigantesca e que muitas pessoas dentre as massas famintas de nosso planeta deixariam de consumir milho .

Afirma ainda que, em Cuba, o álcool é um subproduto da indústria açucareira. "Por isso, independentemente da excelente tecnologia brasileira para produzir álcool, a sua utilização em Cuba não passa de um sonho, um desvario dos que se iludem com essa idéia"."Em nosso país, as terras dedicadas à produção direta de álcool podem ser muito mais úteis na produção de alimentos para o povo e na proteção do meio ambiente".

Em primeiro lugar, é discutível se o artigo foi realmente escrito por Fidel. Talvez tenha saído de seu estado cataléptico para fazê-lo. Ou tenha recebido, de Caracas, o texto por fax.
Não contaram para Fidel que, dentro do zoneamento de produção americana, agricultores recebem dinheiro do governo para não produzirem milho, evitando uma superprodução com danos à economia do agronegócio. É um dos famosos subsídios agrícolas.
Não contaram para o moribundo que populações morrem de fome não porque Malthus profetizou, mas porque não têm renda. Não faltam grãos nem capacidade para produzí-los. Falta é dinheiro.
Cuba é um produtor tradicional de cana e de açúcar. Duvido, porém, que a produção seja devorada integralmente pelos cubanos, por mais famintos que estejam, sob risco de intoxicação glicêmica. Cuba vende açúcar e compra mercadorias que não produz. Qual a diferença com o álcool ou com outras commodities? Nenhuma. Mas não escreveram isso para a múmia. E ele já não pensa faz tempo.
Claro que aproveita para cutucar a produção e tecnologia brasileiras. Essa é a verdadeira intenção. Daí as cores bolivarianas (?) do texto. É um ataque à ameaça energética e redução da dependência do petróleo pelos Estados Unidos.
Para Cuba, a produção de álcool seria um bom negócio. Poderia melhorar as precárias condições de vida dos cubanos. Reativaria sua estagnada economia, combalida por décadas de boicote americano e governo comunista.
Mas não, isso não interessa ao companheiro Chavez.

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