quinta-feira, setembro 13, 2007

Repartindo o Butim

Calheiros foi absolvido no plenário do Senado. Era previsível - talvez até justo - embora não tenha fama de santo e de santo nada tenha.
Na realidade, as provas sobre a utilização de recursos da Mendes Jr para manter fechada a boca de Mônica eram frágeis. E sobre isso residia o processo por falta de decoro.
Todo o resto não tem ligação com a vida parlamentar. Se Renan foi suficientemente trouxa para se envolver com conhecida figura de bastidores e alcovas, pelo que dizem em Brasília, azar o dele. Se os pagamentos eram efetuados por um amigo cúmplice e confidente, problema dele.
Renan evitou o quanto pode tornar público seu affair, não só pelo aspecto político mas também pelo familiar.
Porém, do triste episódio, houve uma polarização para angariar a simpatia popular, com o conseqüente lucro político. E só isso.
Na realidade, em nada interessava à situação ou à oposição que Renan fosse cassado. Os dois grupos tinham medo do day after.
Para a situação, Renan não é um aliado fiel mas um interlocutor que mantém a chantagem política sob controle. Com Renan, os preços em cargos e influência são pagos a poucos. O novo presidente poderia adotar outra postura.
Para a oposição, o temor de um novo presidente efetivamente governista a condicionar a agenda do Congresso poderia ser um retrocesso em suas ambições eleitorais.
Fizeram, então, os líderes da oposição, seu jogo de cena. Em público, prolongaram a sangria, defenderam a cassação e até fecharam questão no voto. E poderiam ainda jogar a responsabilidade pela absolvição sobre as costas da situação, fazendo-lhe pagar a fatura política.
Com isso posaram de vestais da moralidade, em consonância com a opinião pública já devidamente bombardeada por alguns meios de comunicação. Dependesse da opinião pública, refletida na imprensa, não haveria sequer julgamento. Condenação sumária!
Para a situação, defender a mesma bandeira da oposiçao significaria o rancor eterno de Renan, considerando que continuaria, de qualquer maneira, a presidir o Senado, pois todos sabiam que não seria cassado pelos fatos apontados. A situação tem minoria no Senado e Renan se consideraria traído por ela.
Em termos de estratégia política, a oposição, conduzida pelo novo PFL e pelo PSDB, foi de uma competência ímpar. Encurralou o PT e seus aliados, jogou-os contra a opinão pública e terá uma fatura eleitoral para cobrar por muito tempo, atribuindo àqueles a responsabilidade pelo julgamento com cores de impunidade.
Não foi por outro motivo que a maioria absolveu Renan.
Sua cassação quitaria essa fatura.

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