segunda-feira, setembro 10, 2007

Agachadinhos

Dizem que foi uma graça. Autoridades abdicaram da pompa e arrogância e mergulharam em direção ao chão do trem assim que perceberam que os pipocos não eram foguetes de cabos eleitorais a lhes saudarem, porém tiros de AR15.
Na comitiva alvejada estava o Min Márcio Fortes e Secretários Nacionais, além da imprensa, autoridades menores e o indefectível séquito de puxa-sacos.
Que dignidade do cargo, que nada! Prevalece a teoria de que é melhor um covarde vivo do que um valente morto, aforisma que tem assegurado a sobrevivência física e política de tantos.
O Governador Sérgio Cabral, ao ser informado de que na favela do Jacarezinho ele não governa, mudou a agenda, arrumou compromisso ou uma dor de barriga, sei lá, e escafedeu-se da comitiva.
Não é de hoje que a categoria dos políticos profissionais mostra sua covardia. São covardes quando prevaricam e enriquecem à custa de escolas; são covardes quando compactuam com a prevaricação dos outros em prejuízo de hospitais, programas governamentais, infra-estrutura. São covardes quando aliam-se a governos pelo benefício de serem aliados e usufruírem de parcela do poder; são covardes quando mentem nas campanhas num verdadeiro estelionato eleitoral; são covardes quando escudam-se no voto corporativo, ainda mais secreto, para limpar suas falcatruas; são covardes quando se fazem de vítimas ao serem revelados seus mal-feitos.
Vivem existências covardes, pois deveriam servir ao público e não dele servir-se.
A covardia explícita no trem não é um episódio isolado. O próprio Márcio Fortes votou a favor do irreal Estatuto do Desarmamento, vendido como politicamente correto à população, mesmo duvidando de que bastaria estar escrito para os bandidos, gentilmente, entregarem suas AR15, granadas e lança-rojões na primeira delegacia.
São covardes e burros, com poucas exceções. Não têm a lucidez de perceber que o poder do tráfico é xifópago do consumo e que basta reprimir severamente este, ou liberá-lo, que aquele morre de inanição.
Isto me faz lembrar o assalto sofrido pela Min Ellen Gracie, Presidente do STF, no Rio de Janeiro. Rapidamente a governadora e demagoga Garotinho determinou a identificação e punição dos culpados. Em menos de 24 horas, dois defuntos na Tijuca confessaram a autoria, em episódio que passará para os fundamentos do direito penal como a confissão post-mortem.
Podem estar certos que haverá ação policial no Jacarezinho. Dois ou três mortos também confessarão e o assunto estará resolvido. Não o da bandidagem, mas da honra ministerial que restará lavada e enxaguada.
Enquanto isso, nós ficamos expostos. E eles se agacham.

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