quinta-feira, setembro 20, 2007

Brasil, mostra tua cara.

Tenho me recusado a acompanhar os noticiários. Essa alienação é proposital, pois cheguei à conclusão de que assistí-los estava a me alienar muito mais.
O enraivecido bombardeio a Renan (que de santo nada tem), conduzindo a opinião pública de forma irracional sobre provas inexistentes e indícios frágeis. Certamente o jornalismo investigativo poderia ir muito mais longe do que foi, mas em cima de fatos congruentes com a acusação. Queriam acertar no periquito mirando no papagaio. Era pra não acertar mesmo.
A manobra da base governista ao impedir a quebra dos sigilos de Carlos Wilson, ex-presidente da Infraero e com histórico de uma gestão controvertida, segundo o não menos controvertido TCU. Não há outra explicação além de esconder a imundície da qual certamente se beneficiou.
A campanha publicitária projetada pelo Ministério Público, com a utilização de out-doors divulgando o montante dos valores das causas ganhas pela União. Ora, até eu que sou mais bobo, pudesse dispor de milhares de advogados com salários mensais próximos a R$ 30 mil também ganharia 99% das ações que movesse contra quem quer que fosse. Até contra a União, ONU ou o Papa.
O ataque ao mico Zuanazzi, presidente de uma equipe formada politicamente por interesses políticos e não técnicos, ao invés de denunciar o cerne do problema: o modelo falido ao nascer das agências desreguladoras.
O cavalo de batalha sobre a CPMF, cuja extinção nunca será sentida, ao invés de buscar uma solução sobre a tão falada e mal resolvida reforma tributária, essa sim capaz de promover a redução da carga incidente a todos os segmentos da sociedade. Porque não desoneram a cesta-básica, por exemplo, cujo efeito seria sentido diretamente pela população? Embora não haja impostos federais diretos, os estados ainda as tributam com alíquotas que variam de 8 a 17%.
As repetidas cenas das guerras civis carioca e paulista, sem tocar no fato de que resultam diretamente das atitudes boazinhas de descriminalizar o uso de drogas; do Estatuto da Criança e do Adolescente; do Estatuto do Desarmamento e da excessiva benevolência de magistrados, amparados no Código Penal e no Art 5º da Constituição. Bando de Pollyanas.
As estatísticas de aumento de mortes no trânsito desconsiderando a irrealidade do atual código, pintado à sua promulgação como solução definitiva para impedir esse morticínio mas que só criou, de fato, uma burocracia barroca; uma cultura da multa como expiação para tudo e a efetiva gordura trans, com a criação de centenas (ou milhares) de cargos nos Detrans, Denatran, Contran e outros trans.
Um exemplo dessa imbecilidade está na aplicação de multa como transgressão leve para o proprietário que não atualizar seu endereço. Aí fico pensando: há milhares de cadastros dos cidadãos. Será que não poderiam importar esses dados pelo menos de um deles? E mais. No momento em que essa multa seja aplicada, cessará a obrigação de atualizar o endereço ou, pelo menos, nova multa será impeditiva, dado que ninguém pode ser punido mais de uma vez pelo mesmo fato. Ou seja, idiotice completa.
A institucionalização do racismo, que me torna cidadão de segunda classe. O ufanismo inútil, tão bem representado pela euforia quase histérica de tipos como Galvão Bueno. As filas intermináveis. A exclusão dos que não têm como pagar um plano de saúde, que por sua vez também são excludentes, amparados na lei. Os artifícios para aumento de tarifas, sem suporte nos contratos de concessão, como os da telefonia fixa. Trabalhadores sem-terra que conseguem ficar fora de suas hortas e lavouras, sem trabalhar, por 60 dias. Trabalhadores? Livros didáticos escritos para nada ensinar, não privilegiarem o estudo e o desenvolvimento crítico e compostos para um público de faculdades mentais reduzidas. Exceto nos aspectos ideológicos.
A trambicagem. A picaretagem. O subterfúgio. O faz-de-conta.
Ou uma população séria, batalhadora, aguerrida e valente que, apesar do noticiário, constrói, produz, trabalha, dedica-se e mantém esperança apesar de tudo.
Brasil. Afinal, qual é a tua cara?

0 Comments:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home