sábado, maio 19, 2007

Em Nome de Alá

Du'a Khalil Aswad.
Esse é o nome de uma jovem, 17 anos, que morava numa aldeia no norte do Iraque. Como todo jovem, cheia de sonhos e de vida, muito maiores que seu pequeno mundinho miserável e cruel. Afinal, sonhos e vida não têm limite.
E essa jovem apaixonou-se. Igualados pelo sentimento, ignoraram preconceitos e diferenças.
Mas seu amor era sunita e Du'a Khalil era yezidi, uma seita pré-islâmica, de origem incerta, que faz cultos a Melek Taus, "o anjo pavão", tido como Lúcifer por cristãos e muçulmanos.
As religiões não admitem a diversidade, donas da verdade que são.
Morreu Du'a Khalil por apedrejamento. Já moribunda, numa poça de sangue, recebeu o golpe final com vários chutes desferidos por raivosos defensores de Alá. A shari'ah foi aplicada. Alá ficou contente.
Seus executores, em reconhecimento, receberão o paraíso, servidos de leite e mel por virgens, por toda a eternidade. Inshalla!
A morte por apedrejamento ainda sobrevive em comunidades islâmicas. Também era prevista na Torah, mas os judeus a substituíram por mísseis e foguetes. A igreja católica não a incorporou do judaísmo, mas utilizou largamente a fogueira. Hoje se limita à excomunhão.
Usar questões de fé para assassinar não tem justificativa. Usar o nome de Deus para tanto, então, é diabólico. Mas ainda acontece.
Isso em pleno século XXI, na frente de muftis e das forças de segurança, que nada fizeram para impedir essa barbaridade.

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