segunda-feira, dezembro 08, 2014

E Se Tivesse Impeachment?

É o que pleiteia um centésimo por cento do eleitorado paulistano nas tais manifestações.
Os líderes sabem - ou deveriam saber - que sequer haveria tempo regimental para um processo de impeachment nos 20 dias que faltam para encerramento do atual mandato presidencial.
O que me leva a crer que não querem realmente o impeachment, mas sim manter acesa a polarização das campanhas eleitorais.
O impeachment possui regras claras. Os crimes de responsabilidade também são bem definidos. O descumprimento da lei orçamentária é um deles. Mas não está descumprida, portanto, nem essa acusação lhe poderá ser feita.
Ainda assim, façamos de conta que o Senado a julgasse por crime de responsabilidade e lhe cassasse o mandato. Ela assumiria o novo no dia primeiro de janeiro e isso estaria assegurado pela analogia ao julgamento do STF em 2011, que reconheceu que fatos supervenientes ao registro da candidatura não estariam ao alcance da lei da Ficha Limpa. Portanto, poderia Dilma estar impedida a se candidatar nas próximas eleições, mas manteria seu direito ao mandato para o qual fora eleita.

Exatamente por isso é que um grupo de insanos suspiram por uma intervenção militar. Sabem que pela ordem jurídica vigente fazem papel de bobos e ficarão a chupar o dedo. Não têm qualquer efeito prático essas mini-passeatas. Pode vociferar à vontade a chapa perdedora Aécio-Aloysio. Pode fazer média com a torcida o senador eleito Serra. Pode o patético músico Lobão buscar seus minutos de sobrevida na mídia.

Fosse possível serem levados a sério essas figuras, se tivessem capacidade de liderança suficiente para provocar a comoção em parcela substancial da população, estariam levando-nos a uma guerra civil com conseqüências imprevisíveis, além das previsíveis sangrias entre compatriotas e abertura para intervenções estrangeiras. Essas sim, feridas de cicatrização quase impossível. Seriam de uma irresponsabilidade acima de qualquer limite, capaz de fracionar nossa nacionalidade definitivamente.

Resta-lhes, então, esperar que o Min Gilmar relate pela não aprovação das contas de campanha. Isso forçaria uma nova eleição. Aparentemente, tentando ele está e, também aparentemente, não está encontrando o pêlo de cobra que busca em ovo. E ainda que encontrasse, não seria facilmente aceita a tese.
O cenário mais provável, portanto, é a diplomação da chapa vencedora - Dilma e Temer - no próximo dia 18. E que a oposição passe a ser exatamente a oposição tão necessária a qualquer democracia, não esse conjunto de vivandeiras viúvas em chororô desenfreado e compulsivo.

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