segunda-feira, julho 15, 2013

A Reeleição dos Impossíveis

O terremoto que abalou as estruturas do cenário político para 2014 deu cor e luz à então monotonia eleitoral hegemônica. Pessoas e candidatos terão agora que trabalhar e convencer.
Dilma, que apresentava justa aprovação recorde de seu governo e imagem pessoal, foi atropelada por um tsunami e não conseguiu surfar na onda que jogou todos os políticos e instituições no lamaçal. Nenhuma figura pública escapou ilesa.
Na foto, quase uma impossível reeleição numa eleição difícil. Mas 2014 está aí, bate às portas.

Há um novo contingente de eleitores, a geração pós-Lula. Eleitores em que a guinada de 2002 é somente história, quando estudada. A geração pós-hiperinflação, pós-Plano Real, pós-FMI e desemprego. Não se trata sequer de memória curta, mas de ausência de memória. Isso é um fato novo.
E a crise mundial periódica provocada pelos bancos centrais como braços do sistema financeiro alcança nossas praias tropicais com apreensão e medo. A par disso, temos o engessamento constitucional da gestão pública que nos desprotege.
Enfim, o cenário eleitoral não é favorável para reeleições. As favas contadas perderam-se nas contas.

No entanto, há fatores de desequilíbrio que podem modificar o cenário.
O mais forte deles, a resiliência de Dilma, ainda não posta à prova. A presidente, após o tropeço na avaliação, poderá reaproximar-se dos níveis anteriores de popularidade pela simples ressaca dos protestos. Porque protestar cansa, mais cômodo é tocar a vida em frente. Lula é outro fator. O ex-presidente já deu mostras de sua capacidade de articulação e mobilização de massas. Compõe-se facilmente com as classes dirigentes movidas a lucros, atropela a classe média conservadora e fútil e é emapático com a classe baixa cheia de anseios e vontades.

E é nessa classe que poderá vir a maior surpresa. A classe dos impossíveis.
A classe dos que viam como impossível terem acesso facilitado a uma casa própria, a um carro, à mobília de uma casa. A que via como impossível terem seus filhos acesso à universidades, à progressão social.
Essa classe que foi mantida viva com programas como o Bolsa Família, que viu a miséria extrema ser afastada e as panelas com arroz, feijão e mistura, seu maior sonho de consumo.
Esta classe que aguarda em filas de hospitais, porque sabe que um atendimento precário é melhor que atendimento nenhum. E ainda se lembra da diferença.

Essa é a classe de eleitores impossíveis, capaz de reverter o difícil quadro sucessório. Por entender que é impossível voltar atrás

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