terça-feira, fevereiro 22, 2011

O Império Contra-Ataca?

O rastilho de agitação continua a se espalhar entre os países produtores de petróleo. Agora, a Líbia de Kadafi está em pé-de-guerra. Enquanto isso, as cotações do petróleo já mostram o nervosismo altista. Ainda não triscaram na tirania saudita, uma dos mais radicais, embora nem se fale muito nisso.
O surpreendente é que na China também foi ensaiado um agito popular, reprimido pelas forças de segurança.
Interessante o movimento. Segundo o noticiário, havia ONGs de direitos humanos participando. Terá sido um contra-ataque às ações na África e Oriente Médio? Se for, estamos no limiar de nova Guerra Fria, com os serviços de inteligência desdobrando-se no fomento de ações subterrâneas entre potências.
Além disso, dominando a China o círculo do petróleo, restam algumas reservas importantes no mundo ocidental, que serão disputadas implacavelmente.
As nos Estados Unidos e Canadá, ninguém tasca, que ninguém é louco. As na Rússia e arredores, ex-satélites, também. Restam as no México, Venezuela e Brasil.
As do México, pelo vizinho poderoso, todo mundo respeita. Lá, a China não tasca.
Não é o caso das venezuelanas e brasileiras, esta, entre elas, a mais vulnerável.
Vulnerável politicamente. Localizando-se o pré-sal no limiar da plataforma continental possibilita contestações políticas quanto a sua exploração exclusiva. Por outro lado, sua invasão não implica em invasões territoriais e ocupação de territórios terrestres. Basta o time de um porta-aviões.
Nosso pré-sal é absolutamente vulnerável e só pode ser considerado brasileiro pelo consenso de nações ou pelo poderio bélico. Se o mundo ocidental necessitar de petróleo, consenso não haverá.
O Brasil, hoje, pode ser espoliado da maneira que quiserem. Efetivamente, não temos dentes para mostrar nem oferecemos qualquer ameaça de represália que possa fazê-los avaliar a relação custo-benefício, único argumento capaz de assegurar uma negociação.
Queiramos ou não ser politicamente corretos, sem que tenhamos poder nuclear não estamos seguros. Este é o único argumento capaz de mantermos a plataforma continental e o pré-sal como riqueza nacional.
Nossa Constituição veda esse argumento, pusemos rédeas a nós mesmos. Ou induziram que o fizéssemos, sei lá.
O certo é que tudo isso merece profunda reflexão. Riqueza, quando impossível defender, torna-se ameaça. A grande regra da geopolítica foi, é e continuará sendo que, farinha pouca, meu pirão primeiro.
E o canhão ainda é a ultima ratio regis.


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