terça-feira, fevereiro 08, 2011

Ataque de Pelancas

"Pela ordem, senhor presidente. Senhora presidenta da República".

Nesses termos, o presidente do Senado foi aparteado pela senadora Marta, após mencionar "presidente", a referir-se à Dilma.

Sarney, formado no fairplay do contraditório e pós-graduado na ignorância de impertinências, sem se abalar nem tremer os bigodes, pura e simplesmente agradeceu e informou à Marta que ambas as expressões estão corretas gramaticalmente. Político esse Sarney, arranhou a língua para não formular uma ode à burrice, até pertinente nesse caso. De quebra, explicou-lhe a origem de sua construção gramatical.

De fato, alguns filólogos admitem presidenta como feminino de presidente. É um neologismo. Outros, mais ortodoxos, não admitem essa flexão, por se tratar de substantivo terminado em "ente", particípio ativo. Como regra nesse caso, comum de dois.

Esses ataques de feduncas em nada enobrecem, ou enobrecerão, a atuação parlamentar da senadora. Decididamente, ela não precisa aparecer com essas colocações. Espera-se que seu conteúdo vá muito além e seu senso crítico não se limite ao populismo barato, ainda que feminista.

A senadora que se dê o valor e trabalhe. Diga a que veio. Pare com isso. Cuide de coisas mais importantes e, em suas folgas, reveja os livros de gramática de seu tempo de ginásio. Não custa. Antes que tenha outro ataque e exija ser chamada "viça-presidenta" do Senado.

E que aprenda. Quem é picado pela mosca azul, pode ser ferido por marimbondos de fogo.

3 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Escrita emocionante nesta página, tópicos como aqui vemos emotivam a quem aparecer nesta página :)
Dá mais do teu blog, aos teus visitantes.

11:51 AM  
Blogger Dayse Sene said...

Não se pode exigir, que mate a nossa gramática, apenas para se sentir mais feminina.
Se a palavra é comum de dois gêneros...o artigo já a define.
"A nossa presidente", fica tão mais simpático e elegante, que "a nossa presidenta." Essa última, dá-se uma impressão de algo largado, e sem nexo...
Bom mesmo, é aprendermos todos de vez, usarmos o correto. Se existe o correto, para que então falar o errado?
Bom esse texto amigo.
Bom que mais pessoas leiam e que aprendam a se expressarem corretamente.
Nesse quesito, a lei nos ampara, nada nem ninguém, nos obrigará a falar contrária a nossa gramática.
Abraços querido e um excelente dia.

7:09 AM  
Blogger Frega Jr said...

Pois é, Dayse. A primeira morte na epidemia da educação é nossa língua. Tão bela e tão maltratada.
Obrigado pelo comentário. bj

10:41 PM  

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