sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Revolução Chinesa

Não acredito em movimentos populares espontâneos e duradouros. Ou são espontâneos, ou duradouros.
Movimentos populares existem, podem até gerar o caos, promover revoluções, mas são imediatistas e efêmeros. No entanto, são condição necessária a grandes transformações. No fundo, reduzem-se a massa de manobra dos efetivos promotores de mudanças.
Estamos assistindo uma profunda movimentação no mundo árabe. Que eles estejam descontentes com os títeres que os governam, entende-se. Tiranos que, a mais das vezes, são mantidos, sustentados e apoiados e pelo chamado mundo livre.
A tirania faz parte da cultura do mundo árabe, muito menos homogêneo do que se imagina e propala, mas em tudo compatível com a opressão.
Diversos instrumentos são utilizados pelas elites governantes para estabilizar os estratos sociais. A religião, ou suas diversas correntes, entre eles.
Porém, continuo cético. Esses movimentos não são espontâneos. É ingenuidade pensar que a população anseie pela implantação de valores ocidentais tipo democracia, que idealizamos e não praticamos. Isso não faz parte de sua milenar cultura.
Então, quem está fomentando esses movimentos? A quem poderia interessar a desestabiliação do status quo planetário?
Em princípio, não às potências ocidentais, que usufruem de suas riquezas, nem a Israel, a elas associado e por elas utilizado como contraponto na região.
Ao mundo em desenvolvimento, muito menos.
De todos, penso na China. Hoje segunda potência econômica e, me arrisco a dizer, primeira potência militar do planeta, vista esta como poder nacional.
À China, para consolidar sua hegemonia, falta dominar o ciclo produtor do petróleo. Em todos os outros segmentos econômicos, é ator determinante. Cheques sucessivos vêm sendo dados, este é o cheque-mate.
Resta ver como será a reação ocidental, capitaneada pelos Estados Unidos, única potência ainda capaz de garantir o modelo geopolítico atual.
A política externa americana sempre se fundamentou na prepotência, no pragmatismo de seus interesses e na ameaça de retaliações, inclusive armadas. Mas sempre travestidas de ações politicamente corretas. Violam direitos com o pretexto de que direitos sejam respeitados. Diferentemente da China, em que a visibilidade para política externa, em tudo semelhante à americana, era a exportação do modelo comunista, com a visão de Stalin.
O comunismo chinês foi revisto, os tempos de Mao acabaram. Quais são os tempos atuais, ninguém o sabe completamente. O fato é que as revoltas nos países árabes interessam diretamente a eles, na mesma intensidade que lhes interessa dobrar os joelhos ocidentais pelo domínio do petróleo.
A China é hoje o maior credor individual dos Estados Unidos. Ao longo do tempo, financiou-lhe a gastança para que fosse aplicada em guerras e ingerências. Incentivou a seqüência de invasões de países, assegurando seu financiamento. Com agressividade comercial, liquidou sua capacidade industrial e chega a comprometer-lhe a tecnológica. Enquanto o ocidente desgastava-se econômica e politicamente, a China assistiu de camarote a derrocada ocidental.
Os chineses, compostos por civilizações de 5 mil anos, sabem que o tempo, a paciência a e fixação em objetivos são a chave de tudo. Pouco se importam com o sacrifício de gerações, para eles, isso é pouco preço. Da mesma forma como pouco lhes interessam outros valores, para nós básicos, como o respeito à pessoa, ao ambiente, às individualidades e diversidades, aos núcleos familiares, à liberdade em suas mais diversas nuances.
A eles pode interessar a convulsão árabe. A mais ninguém me ocorre.
Nem aos próprios árabes.

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Perfeito.
De uma percepção e profundidade que só não surpreende quem o conhece. parabens! Gelio

9:29 AM  
Blogger Frega Jr said...

Obrigado, Gélio. Vindo de ti, o elogio é dupla honra. bj

10:56 PM  

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home