segunda-feira, novembro 01, 2010

E Eu Também.

Todos, em todas as etapas da vida, sentimos medos, racionais ou não. Os racionais permitem uma avaliação, uma ponderação; são mais facilmente controláveis para que não se transformem em pavor, em paúra.
Já nossos medos irracionais, por não se detectar uma razão mais sólida que se sustente na reflexão, tendem naturalmente levar-nos ao descontrole, à cristalização, à limitação da reação.
Medos irracionais não sobrevivem à uma seqüência de "e daí?". É simples. Pegue um seu medo e o questione, pergunte-se a si mesmo "e daí?". Se na terceira ou quarta derivada a explicação da explicação da explicação não tiver chegado ao cerne e ainda refletir o medo, pode estar certo, estará configurado o medo irracional.
Li esses dias atrás que o homem não é um animal racional, mas um ser que racionaliza. Concordo com isso. Exercitemos, pois, nossa natureza.
Durante toda a campanha recebi milhares de mensagens tentando despertar meus medos. A maior parte não resistiu ao segundo "e daí?". Infelizmente, senti muita gente boa apavorada, à beira do irracionalismo.
As próprias campanhas dos candidatos tentavam estimular o medo, ao invés da esperança. Jogada de marketing, o medo sempre é um sentimento mais forte, a raiva mais intensa que o perdão.
Durante o período, refleti e procurei argumentar, dar novos elementos para reflexão a todas as mensagens que exprimiam medos racionais e ignorei todas as suportadas na irracionalidade. Se alguém gosta, sente o prazer masoquista de alimentar seus medos, quem sou eu para impedí-lo?
Medos racionais convivem com a esperança; os irracionais com o desespero.
Bem, Dilma foi eleita. Em verdade, foi eleito o governo Lula e rejeitado o modelo internacionalizante que o PSDB capitaneia. Os medos irracionais, reais ou forjados sobre os candidatos são coisas do passado e no máximo podem justificar um "eu não disse?", tão a gosto das pitonizas do óbvio e das sogras.
Dos meus medos remanescentes, prefiro ficar com a esperança. Que Dilma acerte mais do que erre, que suas ações sejam voltadas a nossa Pátria, a seus interesses de independência ampla e geral. Que consiga avançar em reformas há tanto tempo necessárias e ainda não viabilizadas.
Que não enverede pela distribuição do que não existe, mas que trabalhe para se ter o que distribuir. Que caminhe pela estrada nem sempre fácil da busca do bem comum. Que busque a união e dê paradeiro aos que trabalham para nos desunir, fragmentar, enfraquecer.
Enfim, que Lula tenha acertado na escolha. E eu também.

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