terça-feira, outubro 05, 2010

Efeito Marina

Tenho escutado e lido muita opinião sobre o chamado "efeito Marina". De fato, obteve uma votação não previsível, seja por sua dimensão política, seja por sua atuação como ministra de meio-ambiente.
Sem dúvida, pode-se considerar como eleitor cativo das propostas os ambientalistas mais radicais e os alternativos, que montam cerca de 10% do eleitorado. É um percentual razoável. Porém, Marina arranhou os 20%. O que aconteceu?
Obteve o primeiro lugar no Distrito Federal. É compreensível se avaliarmos a composição do eleitorado, cujo cinturão de miséria situa-se em Goiás, apesar de compor, de fato, uma grande região metropolitana. Em Brasília, em si, concentram-se altos salários, com elevado padrão de vida e, em conseqüência, uma plêiade de ecologistas de asfalto e de botecos. Há pouca preocupação em produzir e muita em usufruir. Nessas ilhas de fantasia - Brasília não é a única - a concepção de um mundo ideal abandonando o real é muito forte. Teria sido isso?
Penso que podemos considerar, também, o efeito Erenice. Brasília, que sedia os grandes escândalos políticos, também é sensível a eles. Lembrando Stanislaw Ponte Preta( acho que foi ele), em Brasília prepondera a assertiva de que negociata é o bom negócio de que a gente não participa. Estou seguro que o efeito Receita Federal, adicionado ao Erenice em curto espaço de tempo, fez migrar votos do PT para Marina. Serra de pouco beneficiou-se, dado que o estilo de governar do PSDB ainda não virou memória residual nesse mesmo público.
Obteve grande votação também nos estados do Acre (sua terra natal), no Rio de Janeiro, de população fortemente urbana e composta de classe social que favorece a germinação de ecologistas de asfalto e de pranchas de surf, e nos estados do norte - Amazonas, Amapá e Roraima, este ainda revoltado pelo grande erro do governo Lula quanto às reservas indígenas, em especial a miséria criada pela Raposa, e todos assustados com as políticas ambientais e indigenistas do PT.
Portanto, falar em transferência de votos do PV é grande baboseira. Os ecoxiitas, provavelmente, anularão seus votos. Parte dos alternativos também. Os votos do protesto, que devem corresponder a quase 10 milhões, oscilarão entre Serra e Dilma. Dependerá seguramente dos rumos da campanha.
Marina criou-se no PT, aliou-se grupos estrangeiros e migrou para o PV, num projeto de poder. A depender de Marina e de seu aliados estrangeiros, dentre eles o príncipe Charles, o Brasil deixará de ser expoente de produção agrícola e mineral, abrindo espaços, claro, para os grandes grupos e países que se sentem prejudicados com nossa concorrência. Não é à toa a forte pressão pseudoambiental contra a construção de usinas hidrelétricas e de uso do solo para produção. São garrotes-vis em nosso desenvolvimento. Marina representa o atraso, não os eleitores do protesto. São votos essencialmente conjunturais.
Por essa razão, penso que Marina é um zero à esquerda para o segundo turno. Tentará valorizar densidade eleitoral que não tem, mas que está sendo amplamente discutida pela imprensa em geral. É um erro de avaliação da mídia e tomara que nenhum dos candidatos morda essa isca envenenada.
Em minha opinião, para o PT é interessante o confronto entre os 8 anos de governo do PSDB/PFL e do PT/PMDB. A diferença de plataformas e os resultados obtidos nos últimos são gritantes.
Para Serra, valer-se do terrorismo, de promessas inexeqüíveis porém atrativas e do medo por suspeições éticas parecem ser os únicos motes possíveis de campanha. Medo da inexperiência de Dilma; suspeições pelo esquentamento de escândalos, reais ou fabricados. E promessas.... sempre são promessas.
Quem obtiver maior sucesso em impressionar os eleitores do protesto vencerá a eleição.

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