quarta-feira, julho 28, 2010

Non Olet

Os tucanos, parece, construíram definitivo ninho na hipocrisia. São os primeiros a reclamar da carga tributária, mas também são os primeiros a implantar taxas extorsivas que não entram nos cálculos.
Desde Montoro, o Esquecido, passando por Covas, o Falecido, Alckimin, o Desistido, e Serra, o Desmentido, a dinastia tucana governante de São Paulo é tão criativa na transferência do público para o privado, quanto no exercício da captação em moto próprio.
Na principal rodoviária de São Paulo, o terminal Tietê, circulam milhões de pessoas por ano. Diz o cartaz que são dois milhões entre embarques e desembarques. Não acredito. Em conta rápida, são 50 plataformas. Se cada uma movimentasse um ônibus por hora - são até quatro, na realidade - cada ônibus com 20 passageiros - são mais - seriam 1000 passageiros por hora, 24 mil por dia, 720 mil por mês, mais de 8 milhões por ano. Ainda assim, com tanta discrepância, vou exercitar com número oficial, mesmo que seguramente desatualizado.
Que metade sejam de embarques, o governo de São Paulo arrecadaria a ninharia de R$ 3,76 milhões em taxas de embarque que, acrescidos dos R$ 16,5 milhões de ICMS sobre as passagens, alcançam pouco mais de R$ 20 milhões/ano. Utilizando os números mais realistas de movimento, esse valor passa para R$ 80 milhões/ano. Isso deveria ser mais do que suficiente para custear a operação do terminal.
Mas isso não basta para a fúria arrecadadora tucana.
Para usar o banheiro, há que se pagar R$ 1,50, obrigatoriamente. E como todo mundo que chega ou sai, acompanha ou vai buscar, acaba tendo vontade de fazer xixi, os cofres engordam, no mínimo, em mais R$ 12 milhões/ano.
Aí vale lembrar a origem do tributo.
O imperador Nero, aquele gente fina da história, criou um tributo para coleta de urina em Roma. Caído Nero, a taxa foi extinta, porém ressucitada por Vespasiano. Tito, seu filho e que o sucederia posteriormente no trono, teria reclamado com seu pai sobre a natureza fedorenta da taxa, ao que Vespasiano, pegando uma moeda de ouro, mostrou ao filho e dito: non olet, ou seja, não tem cheiro.
Assim é o tucanato, mas com uma diferença fundamental. Suas atitudes cheiram mal.
Tal como o banheiro de ouro da tal rodoviária.

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