sexta-feira, abril 30, 2010

Maturidade

O STF ontem deu uma demonstração inequívoca de maturidade e compromisso com o tecido social. Não foi unânime e isso mostra ainda mais a seriedade da decisão.
Há segmentos saudosistas e revanchistas, de lado a lado. Outros há cuja opinião é formada por informações recebidas, nem sempre desapaixonadas ou mesmo imparciais. Alguns inspiram-se em realidades de outros países, sempre dispostos a importar modelos e conceitos, na clara manifestação do complexo de vira-latas tão bem definido por Nelson Rodrigues.
Prevaleceu o bom senso e pavimentou-se a estrada da pacificação com a história, via que foi aberta no contexto do amplo acordo. Por incrível que pareça, a proposta que prevaleceu, formulada pelo próprio governo de exceção, promoveu uma ampliação da proposta da oposição, que excluia os exilados.
A maturidade da época, também não unânime mas majoritária, teve seu respaldo nos fundamentos dos votos dos Ministros. Os que na época discordaram nas discussões no Congresso Nacional, pelas mesmas razões ou não, também foram acolhidos nos dois votos vencidos, dos Ministros Brito e Lewandowski.
Particularmente, tinha a convicção que o STF, com todo peso institucional e seu compromisso com o país, haveria de decidir dessa forma. Era absolutamente necessário reconhecer uma espécie de prescrição aos crimes cometidos pelas partes em confronto, aguardando que o tempo, pela morte dos autores, promovesse sua decadência.
O STF optou pela paz.

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