quarta-feira, março 24, 2010

Júri Popular

Nem sei bem quando começou, e me arrisco a supor que ninguém o saiba.
Talvez monte às tribos de primatas humanóides, sei lá. O fato é que desde que a história é registrada, os julgamentos e linchamentos populares são fato.
Desse passado, herdamos e mantemos ainda o chamado júri popular.
Nesta semana estamos acompanhando por todos os meios o julgamento do casal Nardoni. Pessoalmente, penso que os indícios de culpa são bastante fortes, embora torça, intimamente, para que não sejam os culpados, em benefício do gênero humano.
Porém, culpados ou não, estão condenados pela opinião pública. Isso é indelével, marcados a ferro e fogo que estão pela sociedade.
O que estamos assistindo é um teatro. E da pior qualidade.
De um lado a acusação, buscando o envolvimento emocional máximo do corpo de jurados. De outro, a defesa em entrevistas patéticas, mas com o mesmo objetivo da promotoria. De um lado, a chance de postular uma magistratura superior, potencializada pela luz dos holofotes. De outro, aumentar sua banca de advocacia criminalista.
A ambos, o Oscar de pior ator. Ao Código de Processo Penal, o de pior roteiro.
Agora que estão discutindo o novo CPC, é hora de acabar com esse instituto arcaico e inadequado do júri popular, felizmente aplicado somente a poucos crimes.
É hora de ser substituído pela avaliação efetivamente técnica. Que se forme um trio de juízes, por exemplo. Ou mesmo o juízo singular, como aplicado já à lesão corporal seguida de morte.
Qualquer opção dessas é melhor à turba e populacho, a título de fazer justiça.
Ou então, abram a demagogia a todos. Voto pela internet em que, já e já, pode gerar um faturamento adicional à SRF ou à Caixa Econômica.
Pensando bem, nada melhor do que isso para o país do Big Brother.

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