quarta-feira, março 10, 2010

Esfíngie Barbuda

Lula, que tem se mostrado um político com rara sensibilidade na construção de sua imagem, parece que deu tilt, entrou em curto. Pisou na bola.
Me refiro às últimas notícias e comentários sobre Cuba.
Primeiro, apesar de visivelmente constrangido, não deu uma palavra sobre a morte do militante de oposição, Zapata, falecido em conseqüência da greve de fome na prisão.
Depois, a série de declarações desastrosas, que foram desde a avaliação psicológica da cabeça de Fidel até a sugestão de que o culpado pela morte foi o próprio militante.
Ontem, mais desastradamente ainda, comparou a situação dos presos políticos em Cuba com as dos bandidos pátrios, que nos assaltam, matam, estupram todos os dias.
Agora, para culminar, a carta dirigida por um grupo dissidente cubano, que pedindo sua intercessão pelos presos políticos da ilha não foi aceita pela embaixada brasileira em Havana.
Porquê? Por que faltava a relação dos remetentes. Desculpa mais esfarrapada, impossível.
Essas atitudes desgastam e comprometem a imagem de Lula. Afinal, quem é esse enigma barbudo? Posa de estadista, com méritos; afirma-se defensor dos oprimidos, e há ações efetivas nesse sentido; mostra-se um democrata e conciliador, porém desconhece a opressão por idéias.
Aqui, indeniza ex-terroristas. Lá, esquiva-se de estender a mão a opositores.
Pode-se perdoar erros gerenciais. Até alguns estratégicos. Mas é imperdoável a incoerência.
Lula, cuidado!
O eleitorado pode fazer uma leitura de suas atitudes e considerá-las incompreensíveis, cínicas e oportunistas. Lembre-se da esfíngie.
Decifra-me, ou te devoro.

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