segunda-feira, novembro 30, 2009

Dízimos e Trigízimos

Aguardei um tanto para ter mais informações sobre o escândalo nacionalmente divulgado em Brasília. Infelizmente, esse episódio só aumenta a fama que determinados setores fazem questão de enfatizar, ao associar Brasília com corrupção, como se a maioria dos corruptos não fossem exportados pela população dos demais estados.
Mas isso nem vem ao caso nem diminui o fato. Chocam muito as imagens e a ocorrência.
O Distrito Federal teve seu papel desvirtuado pelos constituintes. Foi um erro a disposição sobre sua representação política. Também foi um erro, dessa vez não imputável à"cidadã do Ulysses", sua extensão territorial. O Distrito Federal deveria ter área restrita à necessidade de espaço para a administração da Federação. Essa área, sim, e exclusivamente ela, deveria ser um ônus total da União. A Constituição de 67 era mais sábia, embora tenha mantido o território anteriormente demarcado.
Os estados vizinhos ignoram as áreas do entorno com serviços públicos, espetando suas responsabilidades no DF. Que as reespeta na União, sem dó nem piedade.
É mais do que hora de pensar seriamente na criação de um novo estado que englobe os territórios do atual Distrito Federal menos o Plano Piloto, o noroeste de Minas e nordeste de Goiás.
Mas, divisão política à parte, o fato é que a política local do Distrito Federal é o mais representativo da podridão nesse segmento, com raríssimas exceções.
Governantes se sucedem; somente um até agora não foi envolvido em escândalo político. Mas perdeu eleição para um populista jurássico, de ética e honestidade contestadas.
A tal de Câmara Distrital, um aborto institucional, combina-se numa câmara de vereadores e numa assembléia legislativa. É espantoso o nível das regras a que nos submetem. Surrealistas, mas agora sabemos que a peso de ouro.
Arruda não é santo, pelo contrário. Nem seu vice, nem seu secretariado. Porém estava executando um governo em tudo superior ao de seu antecessor, só perdendo no quesito escândalo e denúncias de corrupção. Nesse item, agora empatou. E quem o denunciou responde a mais de 30 inquéritos e processos. Sabem por quê? Por corrupção, em suas várias nuances. Sabem de quando remontam? Do governo anterior, cujo titular já se apresentou como candidato a mais um mandato, após renunciar ao Senado para não ser cassado, após ser flagrado com a mão na botija.
Continuo entendendo que a corrupção não tem perdão, nada alivia sua gravidade, nada a absolve.
No entanto, reconheço também que essa prática de comprar maioria acaba sendo condição sine qua non para um mínimo de governabilidade e acredito firmemente que seja prática em todos os níveis da federação.
Essa prática não poderá ser coibida com eficácia enquanto continuarmos com o modelo, o desenho político definido na Constituição de 88. Uma reforma política é fundamental, necessária e urgente, antes que a população desacredite na democracia. Essa sim, com a vida em risco, agravada a cada escândalo como o atual.
A propósito, estou na dúvida se o pastor-deputado-suposto-mensaleiro pagou à Casa da Bênção o dízimo ou se passou seu pai, o "apóstolo" Doriel de Oliveira, pra trás. Se alguém tiver notícia, por favor, me avise.
Afinal, seu maior mérito não foi o voto. Foi o devoto.

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