domingo, abril 04, 2010

Celibato e Pedofilia

Já não restam dúvidas que as ocorrências de pedofilia praticadas por padres católicos superam em número as noticiadas no seio de qualquer outro grupo religioso.
Mas quero discordar da corrente dominante. Não atribuo isso diretamente à prática do celibato.
Digo diretamente porque não acredito na incapacidade de controle da libido e do desejo sexual. Os tais padres pedófilos seriam pedófilos, mesmo que casados, amancebados. Tivessem um harém à disposição, ainda assim pedófilos seriam.
Sua perversão é mental, emocional e psicótica. Não se pode atribuí-la ao celibato.
Sendo assim, permanece a dúvida do por quê da concentração deles justo em uma organização cujo inspirador prega o respeito e o amor.
Aí, secundariamente, entra sim o celibato.
Grande parte dos jovens que buscam a vida religiosa clerical católica está disposta a abrir mão de uma vida sexual ativa, acreditando poder sublimar essa energia em dedicação ao próximo. Porém, não se pode desconhecer que, ainda adolescentes ou recém-saídos dessa fase, são povoados pela insegurança característica dessa idade, em parte provocada pela própria explosão hormonal.
O que não sabem é que estarão incorporando-se a uma organização que não prima pelo respeito e verdade.
Naquela fase conturbada ocorre a maior cooptação das chamadas vocações sacerdotais. As jovens cabeças são intoxicadas por preconceitos, medos e lendas. O fervor fanatizante é inculcado em seus cérebros e os acompanham por toda a vida.
A grande maioria sequer chega a ter lucidez, com o amadurecimento, de questionar os reais propósitos dos sacrifícios que lhes foram impostos. Alguns flagelam-se, tomam banhos gelados e seguram a onda. Outros apaixonam-se, abandonam o sacerdócio e constituem família, sempre carregando a nuvem negra da culpa, da qual nunca se livram, cultivada e permanentemente recordada pela organização que abandonaram.
No entanto, há uma minoria que busca, no recolhimento da vida, a esperança de dominar sentimentos ruins e perversões, que reconhecem mas não aceitam possuir. Fugindo de uma possibilidade de vida sexual, recalcam sua homossexualidade, suas fantasias pedófilas e outros impulsos, os quais não se reconhecem capazes de dominar nem dispostos a tratar clinicamente.
Esses são, creio, os padres pedófilos praticantes, sem abandonar aqueles que, embora pedófilos, pela prática religiosa conseguem conter seus impulsos, e que seguramente se encontram em qualquer grupo social.
A insatisfacão sexual é reconhecida como fonte de neuroses. Desde Freud, que a ela atribuía a maior parte dos desvios de comportamento humano.
Sendo verdade ou não, o fato é que o instituto do celibato, adotado com fundamento em algumas frases de Paulo de Tarso e mascarado com os fundamentos econômicos de centralização de riquezas e poder à igreja, é cínico e bem caracteriza a hipocrisia dos que dizem falar, no Vaticano, em nome do Cristo.
Felizmente, o fim do medo está acabando com isso, e forçará a igreja católica a uma profunda revisão de seus conceitos e preconceitos.
Se quiser sobreviver por mais tempo como guia espiritual de milhões.

1 Comments:

Anonymous Wania said...

Parabéns pelo texto muito bem escrito, que analisa perfeitamente a questão do pedofilismo na Igreja Católica. Concordo que isto não é uma questão de ser celibatário, apesar de não concordar com o celibato, mas sim uma questão patológica e de caráter. Devemos notar a quantidade de homossexuais num clero que prega abertamente contra os homossexuais, mas que não aje de acordo com o que prega. "Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço". Para os leigos tudo é pecado, mas parece que eles se perdoam muito facilmente....

8:45 PM  

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