quinta-feira, abril 01, 2010

Sr Serra, dispenso!

Em recente viagem a S.Paulo, fiz umas contas.
No trecho da Anhangüera, desde a divisa com Minas até Cajamar, complementado pela Bandeirantes, desde Cajamar até São Paulo, em jornada da ordem de 500 km, há dez postos de pedágio, com preço médio de R$ 5,80 em cada um. Isto para veículos de passeio particulares (placa cinza), pois se for de categoria comercial, o preço médio alcança R$ 11,60. Em se tratando de veículos de carga, o pedágio por posto é de R$ 5,80 por eixo de carga. Uma carreta, normalmente com 4 eixos, paga R$ 23,80 em média por posto. Nos casos mais extremos, como um bitrem, com 10 eixos, a tarifa unitária alcança R$ 58,00, ou seja, R$ 580,00 para trafegar nos 500 km, mais de R$ 1,00/km.
Vou fazer uma estimativa. Estou supondo que, por dia, sejam cobrados 9 milhões de pedágios. Parece muito, mas pensem comigo. Imaginemos que 500 mil veículos transitem em cada via, por dia. E que, desses, 60% sejam veículos de passeio e ou outros 40% tenham, em média, tarifação com base em 3 eixos e que, na média, seja percorrida somente a metade da rodovia por esses veículos, ou seja, passem por somente 5 postos. Façam as contas e chegamos nos 9 milhões de cobranças básicas. Nove milhões, a R$ 5,80 cada, temos um faturamento diário bruto de R$ 52.200.000,00, o que nos leva à surpreendente quantia de R$ 19.053.000.000,00 por ano. Ou seja, mais de dezenove bilhões de Reais por ano. Essa é a transferência de poupança promovida pelo PSDB, a título de incompetência do Estado em gerir sua infraestrutura. Estado "incompetente", aliás dirigido por eles "com competência" há 16 anos (com toda essa grana, até dá pra entender porquê).
Sei que há uma tendência, muito bem comprada pela imprensa, de enaltecer a qualidade da rodovia, atribuindo-a exatamente à gestão privada. Essa opinião é freqüentemente repercutida por camadas, em especial as que não conheceram o complexo rodoviário antes da privatização e os que somente viajam de avião. Afirmo - acreditem se quiserem - que quando era operado pelo DER/SP antes do PSDB, tinha qualidade de pista equivalente e hoje, com gestão privada, não é significativamente melhor que o trecho Catalão/Brasília, seqüência da Anhangüera, recuperado pelo DNIT e sem cobrança de pedágio.
Em contrapartida, o Sr Serra deu ao tráfego o trecho sul do rodoanel. Em seu discurso, ressaltou o investimento de R$ 5 bilhões, o que deve incluir as indenizações por desapropriações, além de naturalmente se tratar de rodovia bastante cara, pela quantidade de obras de arte rodoviária necessárias, desde a transposição de 2 represas até a infinidade de viadutos. E o trecho não chega a 70 km.
Ou seja, guardadas as proporções e diferenças, e mesmo que se não as guardasse, fosse o pedágio recolhido pelo estado, a cada 2 anos poderiam construir outro complexo Anhanguera/Bandeirantes. Ou melhor, num mandato de 4 anos, quantas ferrovias poderiam ser colocadas em operação, reduzindo absolutamente a demanda sobre as rodovias?
Mas isso não interessa ao PSDB, nunca o interessou e nunca o interessará.
Esses apologistas do Estado mínimo e das privatizações chegam a se orgulhar dessa insanidade. Nem sei mais se por interesse na transferência de poupança e sua concentração nas mãos de empreiteiros - a fonte é mais fácil - ou se por visão míope mesmo, convencidos por seus patrões internacionais.
Diz o Sr Serra ainda em seu discurso de renúncia ao governo de SP: "O Brasil pode mais." Desculpe, Sr Serra, mais disso, eu dispenso.

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