quarta-feira, maio 12, 2010

Euroinflação

A crise européia, claro, repercute no mundo. A tentativa de integração Alemanha/França, estendida como alternativa capitalista para o dólar, passados alguns anos, mostra que algumas medidas foram esquecidas.
A moeda, mais do que meio de troca, é meio de execução de planos de governo e de políticas públicas. Países podem até ter a mesma moeda, mas não mesmos planos de governo, que alteram-se a cada eleição nos processos de alternância democrática de governos.
E as políticas públicas refletem-se na moeda.
Para evitar a derrocada, mais visível na Grécia e ainda latente na Itália, Portugal e, principalmente Espanha, ensaia-se um fundo bilionário.
Acontece que quem gasta por muito tempo mais do que gera, passará por período de retração. Esse período estende-se até que a taxa média de crescimento seja compatível com a taxa média de geração de renda. Não há saída.
Também não há saída indolor para a zona do euro. Não é possível desvalorizar o euro somente na Grécia ou na Espanha. Por outro lado, não é viável proceder redução da renda nominalmente, na renda incluídos os salários.
Resta-lhes a redução virtual.
A Europa será forçada a desvalorizar o euro utilizando a inflação como arma e os salários e ações sociais - sempre os primeiros atingidos - mantidos com arrocho.
Isso não valerá para todos, mas será utilizado pelos países cujos déficits públicos estejam profundamente desequilibrados. De quebra, um ou outro tirará sua casquinha.
A inflação é o processo mais comum de transferência de poupanças, menos eficaz somente do que os pedágios dos governos peessedebistas e pefelistas. A dificuldade de superar os dois, no entanto, é imensa.
Pode-se aguardar a emissão de moeda pelo Banco Central Europeu para a compra desses títulos podres, talvez com alguma negociação com os bancos credores a título de deságio.
De qualquer forma, será um período turbulento. Micarão na sociedade, como sempre.
Tudo isso porque esqueceram de deixar uma porta de saída aberta. Mil exigências na hora de participar da comunidade européia, nenhuma porta para excluir algum membro. Vão pagar o preço.
É bom vermos esse exemplo para acautelarmo-nos com a amplitude da integração no Mercosul.

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