sexta-feira, janeiro 05, 2007

O que é isso, Companheiro?

Primeiro, um breve histórico da figura.
Foi ativo participante dos movimentos subterrâneos de luta armada durante os governos militares;
Teve participação ativa em sequestro de embaixador;
Foi preso político;
Trocado por refém de outro sequestro realizado pelo mesmo grupo guerrilheiro, foi exilado do Brasil;
Voltou com a anistia e escandalizou uns e outros ao circular com uma minúscula tanga nas praias do Rio (antes que isso fosse moda);
Escreveu livro contando sua ação no terrorismo, que serviu de base para roteiro cinematográfico (bom filme, por sinal);
Fez apologia da descriminalização da maconha;
Filiou-se a um partido político pequeno, nascido no Brasil sob inspiração do congênere na Alemanha;
Elegeu-se Deputado Federal, onde permanece já por várias legislaturas;
Durante o exercício de seus mandatos, não se viu envolvido em qualquer escândalo ou tramóia, defendendo com dignidade seus pontos de vista;
Nunca trocou de partido;
Quer ser Presidente da Câmara.
Sem dúvida, é um currículo controverso, mas coerente.
Fernando Gabeira, possivelmente, seja o próximo Presidente da Câmara, o tertius em razão do imbroglio resultante da luta de vaidades e de disputa rasteira de poder.
Se for, será um bom Presidente. Deverá trazer o choque de honestidade (se há alguma coisa que o comprometa - o que não acredito - não sei). Decididamente, não será um Severino, contra quem pronunciou discursos veementes em plenário quando ainda havia ameaça de pizza no ar.
Não se viu o Gabeira, até hoje, participar de conluios, de composições escusas.
Mesmo com essa vida pregressa - ou por causa dela - Gabeira é um dos parlamentares mais respeitados no Congresso.
Quando for eleito, se o for, haverá gente ressucitando o passado terrorista, a tanga, a maconha, a excentricidade. E aí eu pergunto e afirmo simultaneamente. O que ganha um País em combater idéias e opiniões? Quantas vidas, de lado a lado, foram colhidas no auge do idealismo pela imaturidade tão característica da juventude. Será que se, na época, houvesse um foro livre para a discussão das idéias esses jovens teriam enveredado pela trilha do crime? Será que regimes inteligentes não devem fomentar exatamente o contraditório, o debate, a livre expressão como elementos de antecipação do amadurecimento político? Os expurgos universitários caminharam em direção oposta. Não poucos foram carimbados de comunistas por terem lido Marx ou colado uma figurinha do Guevara em seu caderno. Havia muita censura e poucos censores capacitados a entender o que censuravam.
Gabeira poderia ter sido morto em combate. Outros o foram. Poderia, e talvez tenha, matado outros jovens nos mesmos combates, só porque estavam no outro lado.
Pela ignorância de quem se deixa levar por rótulos, preconceitos, verdades absolutas. Por falsas lideranças.
Felizmente Gabeira não morreu. Talvez tenha sido preservado pelos deuses exatamente para ajudar o País.
Desta vez, da melhor maneira.

1 Comments:

Anonymous Anônimo said...

Estou sentido falta de seus comentários.O que há de novo no ar?

6:48 AM  

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