terça-feira, janeiro 02, 2007

Terrorismo

Ontem, em discurso, o Pres Lula classificou a bandidagem geral e sem limites como atos terroristas. Está certo Lula.
Apesar dos benevolentes de plantão, dos vivas-rio da vida, das pollyanas e avestruzes aglutinados em ONGs, pela primeira vez o governo brasileiro usou o termo correto.
É terrorismo, sim!
Não por componente ideológico, não por desigualdade de forças em combate. É terrorismo sem ideais, suportando o crime. É a desestabilização das instituições pelo medo.
De que adianta o belo ideário composto no Art 5º da Constituição Federal, com todas as garantias? Ou será que é exatamente por causa desse texto poético, engessado em cláusula pétrea, que floresce toda essa bandidagem.
É de Cícero a lição de que um Estado que não possua mecanismos internos para ajustar-se a novos tempos cria, na manutenção dos mecanismos existentes, os elementos de sua auto-destruição.
Lula brande a mão forte do Estado. Em contraposição diz-se - prefiro acreditar não ser verdade - que habeas-corpus são transacionados e que os escritórios de advocacia surpreendentemente bem sucedidos nessas ações são conduzidos por filhos e parentes e alguns magistrados. Aliás, nem sei quem patrocinou o HC concedido ao Pimenta Neves. Vou até pesquisar.
Como disse, prefiro acreditar que isso não seja verdade porque, nesse caso, não há mão forte, o Estado é maneta e estamos todos à mercê da bandidagem.
O crime tem dinheiro, mas a população só tem a vida.
Por que não a pena de morte? Bandido morto não reincide no crime. Será que só esses terroristas podem continuar condenando inocentes à morte?
Porque a Constituição não deixa, engessada que foi.
O crime, organizado ou não, permeia o Estado. Enquanto Lula no palanque ameaça combatê-lo, algum escalão menor envia convite para o lider do MLST Bruno Maranhão (aquele que promoveu o atentado no Congresso Nacional) participar da cerimônia de posse no Planalto. Crime e terrorismo também ele cometeu e ontem estava lá, apertando a constrangida mão do Presidente, que teve o cuidado político de recomendar a ausência de Zé Dirceu, mas não imaginou que alguém poderia convidar o Maranhão.
Não acho que o chefe de um poder deva cuidar também do cerimonial. Mas tem a obrigação de começar o combate, aplicar a mão forte, em seu quintal. Quem o incluíu na lista dos convidados? Será punido? Porque não mandou que o retirassem?
Os dois pesos e duas medidas invibilizam qualquer medida forte.
O mais grave erro que um dirigente pode fazer não é a injustiça. É a incoerência.

0 Comments:

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home